TIA ALICE II

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TIA ALICE

          A tia Alice é uma boa lembrança para mim, porque me lembro de várias oportunidades em que eu estava com minha mãe, e que a tia Alice também estava presente; em São Paulo, em Guaratinguetá e em Itajubá.  A minha mãe gostava muito da tia Alice.  E, a tia Alice também era muito atenciosa para comigo.  São lembranças que o tempo não vai apagar, porque vou deixa-las aqui registradas.


          E vale ressaltar também, que a família Marcondes é bem numerosa.  É uma característica marcante dessa família.  E depois, uma outra característica, era uma bondade interior, que se notava no coração de todos os irmãos, filhos do vovô Zequinha, proveniente talvez, de uma religiosidade muito presente na vida das pessoas mais antigas e particularmente da nossa família.  Tia Alice e minha mãe, eram bastante religiosas.

          Eu também aprendi bastante, inserido na religião Católica desde o meu nascimento (batismo e crisma), e depois, nas aulas de Catecismo no meu tempo de Grupo Escolar (curso primário), e ainda, nos meus tempos do Colégio São Miguel, em Passa Quatro/MG, colégio esse, dirigido pelos padres da Congregação Belo Ramo, onde a religião era matéria de estudo obrigatório.

          E assim, movido por esse pensamento, eu rezo pela minha mãe, pela tia Alice e por todos os meus tios, por todos os meus primos e primas:.
Oração pela família: ... Senhor, nós vos louvamos pela nossa família e agradecemos a vossa presença em nosso lar.
          Ensinai-nos a viver a vossa palavra e o vosso mandamento de Amor, a exemplo da Família de Nazaré.  Concedei-nos a capacidade de compreendermos nossas diferenças de idade, de sexo, de caráter, para nos ajudarmos mutuamente, perdoarmos nossos erros e vivermos em harmonia. 

          Dai-nos Senhor, saúde, trabalho e um lar onde possamos viver felizes. 
          Ensinai-nos a partilhar o que temos com os mais necessitados e empobrecidos, e dai-nos a graça de aceitar com fé e serenidade a doença e a morte quando se aproximem de nossa família. Ajudai-nos a respeitar e incentivar a vocação de nossos filhos, orientando-os para o Vosso serviço.
          Que em nossa família reine a confiança, a fidelidade, o respeito mútuo, para que o amor se fortifique e nos una cada vez mais. 
          Permanecei em nossa família, Senhor, e abençoai nosso lar hoje e sempre.  Amem!
                                                                                        Guilherme Köhn
                                                                            (Membro da família Marcondes)
Minhas primas:
Primas de Guilherme Köhn
Nesta foto: da esquerda para direita: Lucia Alkmin (Guaratinguetá-SP); Terezinha Alkmin (Goiânia-GO); Tânia (filha mais nova da Terezinha); Alice Alkmin (Goiânia/GO); Carmelina Alkmin (Goiânia/GO); Maria de Fátima (Goiânia/GO);  Maria Aparecida Alkmin (Guaratinguetá/SP); Amélia Alkmin (Curitiba/PR).
Nesta foto: reunião das irmãs em Goiânia:  Alice, Amélia, Carmelina (Keipe), Cida e Fátima.


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TIA ALICE

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          Já mencionei quando eu contava a estória da minha mãe (Maria Luiza Marcondes), que eu conheci todos os meus tios, mas não tive uma proximidade maior com todos eles, inclusive conheci alguns primos, mas não todos.


          Posso citar por exemplo, que conheci as filhas da tia Alice, a Carmelina de Baependi, a qual tive uma proximidade maior com ela, e os primos Roberto e Lucio (filhos do tio Humberto).  O Roberto inclusive, passou algum tempo comigo em Resende.  E, certa vez eu fui ao casamento de um primo lá em Itajubá (acho que era filho do tio Luis Marcondes, mais conhecido como "Turco"), mas já não me lembro de maiores detalhes. 

          (Observação: na falta de uma foto melhor da tia Alice, coloquei nesta postagem, uma foto da sua filha Fátima, porque ela se parece e lembra muito a sua mãe.  Veja, acima à esquerda)

          Não obstante, eu tenho uma boa lembrança da tia Alice e de suas filhas tão simpáticas e maravilhosas.  Foi no tempo em que a tia Alice morava em Guaratinguetá/SP, na rua Jacques Félix. Guardo toda a sua família no coração

          Acho que a última vez ue vi a tia Alice, foi no casamento da minha irmã Isabel, lá em São Paulo, no bairro da Penha. Veja a foto:

(Na foto: tia Alice ao fundo, de óculos, de braços com o Francisco (Kiko), marido da Isabel. - Sebastião Alkmin, marido da tia Alice, de braços com a Isabel.  Tia Alice e seu marido, foram os padrinhos de casamento de Kiko e Isabel.  Uma boa lembrança).

          A seguir, um breve relato a respeito da tia Alice, escrito por sua filha Maria de Fátima Alkmin:
"... ... Alice Marcondes Alkmin, filha de Carmelina Conti e José Marcondes, nasceu em 29/01/1923 em São Francisco de Paula/MG.  Casou-se aos 17 anos com Sebastião Ribeiro Alkmin.  Dessa união, vieram 9 filhos, sendo 7 mulheres e 2 homens. 

          Alice era uma mulher alegre, suas risadas eram marcantes em sua personalidade.  Gostava de viver e passear.  Seus irmãos a chamavam de "pedalinha", pois estava sempre pronta para um passeio, indiferente ao trabalho que daria para carregar os seus filhos.  Para mim, como filha, um fato marcante era vê-la incansável na fé;  em qualquer dificuldade ou alegria, todas as noites era sagrado o seu ritual: de joelhos ao pé da cama punha-se a rezar o terço mariano.

          Ela ensinou aos filhos o respeito ao próximo e aos mais velhos.  Nenhum filho poderia dormir sem que lhe pedisse a benção. 
Hoje, ela está ao lado do Pai Eterno, e certamente olhando por todos nós. 
Alice, mulher forte e alegre. É assim que lembramos de você.
Obrigado mãe, por tantos exemplo".

(Nesta foto, toda a família reunida: ao fundo, da esquerda para a direita: Maria Aparecida (Cida), Alice, Terezinha, Amélia, Fátima e José Benedito. - Sentados: Sebastão Alkmin (com seu neto Thiago no colo), Antonio de Pádua (Toninho), Alice Marcondes Alkmin, Lucia Helena e Carmeline Alkmin (Keipe).



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MARIA LUIZA KÖHN

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Maria Luiza Marcondes Köhn:
casou-se com Paulo Köhn, em 09/02/1949, e nove meses depois, eu era nascido.  Maria Luiza, é a minha mãe do coração.  Ela era filha de José Marcondes Faria e Carmelina Águeda Conti (meus avós maternos) Ambos já falecidos.


          Apesar de não ter vivido toda a minha infância com a minha mãe, eu nunca perdi o contato com ela.  Quando meu pai morreu, eu era ainda pequeno, e fiquei morando com os tios (Clara, Marta e Guilherme Jr.)  Minhas irmãs (por parte de mãe), Eni, Ivone, Izabel e Irene, foram para Itajubá, ficar com nossos avós maternos. E minha mãe, foi para São Paulo, e lá casou-se com José Onofre, e tiveram 2 filhas: Izilda (falecida) e Elizabeth; esta, ainda mantém contato comigo até hoje, através do Facebook (ela é muito legal, gosto muito dela).

          Quando minha mãe foi embora para São Paulo e me deixou com os tios, eu sentia muito a sua falta.  Eu queria minha mãe, e às vezes chorava.  Minha mãe passou um bom tempo ausente, mas depois ela vinha a Passa Quatro de vez em quando (uma vez por ano), para me visitar.  E assim fui me acostumando.

          Mas o tempo passa, e minha mãe se separou do José Onofre, e ficou um bom tempo sem dar notícias (não sei precisar quanto tempo).  Ela me contou depois, que passou tempos difíceis, trabalhando como doméstica. Tentou um novo relacionamento amoroso, mas que também não deu certo, resultando o nascimento de mais um filho (de nome Jorge, que hoje mora em Santos-SP,, trabalhando com venda de artesanatos).

          Depois, um belo dia, minha mãe novamente veio me visitar, e desta vez trouxe consigo, minhas duas irmãs japonesas, Hissae e Shizue, ainda bem pequena.  Nessa época eu estudava no Ginásio São Miguel, em Passa Quatro, e nas férias escolares, eu aproveitava para ir a São Paulo, ficar com minha mãe e minhas irmãs.  O marido da minha mãe (japonês), se chama Paulo (hoje está bem velhinho). Eles se casaram numa Igreja de culto japonês, apenas na Igreja, porque o José Onofre, embora separado da minha mãe, nunca lhe concedeu o divórcio.  Minha mãe morreu casada legalmente com José Onofre.





          Voltando um pouco no tempo, vou falar da minha mãe; ao todo são 11 (onze) pessoas, ou seja, minha mãe e mais 10 irmãos:
1) Maria Luiza (falecida)                              6) Manoel (falecido)
2) Luis Marcondes (falecido)                        7) Antonio
3) Tereza (falecida)                                        8) Ivone
4) Alice (falecida                                           9) Humberto (falecido)
5) José Marcondes (falecido)                        10) Carmelo
                                                                       11) Francisco
familia Marcondes


          Conheci todos esses meus tios, mas eu não mantive um contato mais próximo ou frequente com eles.  Apenas a tia Alice, que morava em Guaratinguetá, fui visita-la algumas vezes.  Também fiquei conhecendo alguns primos e primas do meu lado materno, mas eu ainda tenho primos que até agora não conheço.  A família da minha mãe e bem numerosa.

          Minha mãe era natural de Delfim Moreira (pertinho de Itajubá).  Em Delfim Moreira, existe até um jazigo perpétuo no cemitério local, onde estão sepultadas as pessoas da família Marcondes. Inclusive as cinzas da minha mãe (ela foi cremada) aí estão depositadas.  Minha mãe nasceu em 08/05/1920 e morreu em 06/03/1984.
Minha mãe nasceu, viveu, sofreu e depois descansou.  Rezo também por ela na Paz. Amém.
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COINCIDÊNCIA INTERESSANTE:
          Quando meu pai se casou com minha mãe, era era viúva, e já tinha 4 filhas; Eni, Ivone, Isabel e Irene.  Meu pai acolheu essas meninas como se fossem suas próprias filhas.  Mas o destino trágico levou meu pai, e minhas irmãs foram para Itajubá, morar com nossa vovó Carmelina e vovô Zequinha, como era conhecido.

          Mas, quando já eram mocinhas, elas foram para São Paulo, para casa da mãe e nosso padrasto japonês.  Elas queriam viver em São Paulo para trabalhar, e ganhar seu próprio dinheiro, construir suas vidas, como de fato assim aconteceu.  Elas estão lá até hoje, mas a Irene já é falecida. 

          Porém aqui, há de se notar uma coincidência interessante...  Meu pai, Paulo (alemão), acolheu minhas 4 irmãs.  Depois, bem mais tarde, outro marido da minha mãe, Paulo (japonês), também e novamente, acolheu minhas 4 irmãs.  Coisas do destino.  Parece que o próprio destino (ou Deus), de alguma forma, quis devolver um pai para essas meninas. muito interessante... ...
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Meus irmãos japoneses: Sadau, Shizue, Cássia e Hissae:

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PAULO KÖHN II

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O Parque de Diversões

          Meu pai (Paulo), tio Walter e tio Carlos, certa vez resolveram construir um parque de diversões em Itanhandu.  Desse fato, temos algumas fotos da época.  Mas não foi somente um carrossel giratório (veja a foto).  Não, eles inventaram também outras brincadeiras. Brincadeiras que valiam prêmios; vou contar, é interessante.

          Nessa época, havia um rapaz, conhecido como "Espírito Mau", e que era o "Cristo", ou seja, um sofredor das brincadeiras de mau gosto dos irmãos Köhn.  O tio Walter o chamava de "Ispirto Mau".  Não me lembro o nome desse rapaz (Suas iniciais eram A.M. conforme está na sua foto que ele ofereceu ao meu pai). Mas esse rapaz, o "Ispirto", era irmão de um cantor, também de Itanhandu, muito conhecido na época, chamado Claudio de Barros, nome esse, que pode ser pesquisado na Internete, pois ele se tornou um cantor de certa fama no passado, com várias músicas de sua autoria, como por exemplo, "Cinzas do Passado".

          Não tenho muitos detalhes da estória desse Claudio de Barros, mas quando ele deixou Itanhandu e foi para São Paulo, para tentar a vida artística, o seu irmão (acho que era irmão de criação), o "Ispirto Mau", também foi junto, e por lá ficou.  E assim ficou livre das brincadeiras dos irmãos KÖHN.

          Mas, voltemos à estória: nesse Parque de Diversões, além do carrossel, criado e montado pelos irmãos Köhn, havia uma brincadeira:  Eles haviam montado um ambiente com uma parede de tábua e com um tipo de janela aberta bem no centro.  Por traz dessa "parede de madeira com janela", o bobinho do Espírito Mau "botava" a cara na janelinha. E a brincadeira consistia no seguinte: ganhava um prêmio (uma prenda) aquele que, à certa distância acertasse uma bolada na cara do "Ispirto" na janela.  Eram 3 bolas, ou 3 tentativas.  Acho que eram bolas de pano, mas nem é preciso dizer, que a brincadeira era motivo de pilhéria, de gozação por parte de quem jogava e de quem assistia.  Pobre Espírito Mau (veja sua foto), que se prestava a essas brincadeiras.  As ilustrações desta estória, e desse fato, falam por si.
Brincadeiras do Parque de Diversões
          Observação: uma certa vez, esse rapaz, o Espirto Mau, depois de muito tempo veio de São Paulo para Itanhandu, para visitar o tio Walter.  Depois, foi também a Passa Quatro, para visitar a tia Clara.  Nessa oportunidade, eu cheguei a conhece-lo, mas depois disso, nunca mais deu notícias.
Não sei precisar a data em que esse Parque de diversões foi inaugurado em Itanhandu, mas acho que deve ter sido por volta de 1940, mais ou menos. A foto que o Espirto Mau ofertou para o meu pai, está com data de 1938.
Vejam agora, a foto da inauguração do Parque de Diversões; as pessoas ali, são todos moradores de Itanhandu, naquela época.
Itanhandu-MG

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PAULO KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida):

          Paulo Köhn, era como seus irmãos, mecânico de profissão.  Trabalhava junto com Walter e Carlos na oficina de Itanhandu.  Casou-se em 09/02/1949 (ano do meu nascimento), com Maria Luiza Marcondes. Tenho guardado até hoje, uma lembrancinha do seu enlace matrimonial. Paulo Köhn, meu querido pai.


          Tio Carlos contava que ele era muito calado.  Sempre foi.  Não reclamava de nada.  Nem quando estava com algum problema de saúde.  Sofria calado, sem reclamar.

          Mas o meu pai, além de mecânico, sabia fazer muitas coisas, era o "homem dos 7 ofícios"; era mecânico, pedreiro, carpinteiro, eletricista, gostava de tocar acordeon, e gostava de pilotar a sua moto Harley Davison.  Eu era muito pequeno, mas eu me lembro de algumas coisas:

          ... nós morávamos em Passa Quatro.  Eu, meu pai, minha mãe e minhas 4 irmãs: Eni, Ivone, Isabel e Irene (irmãs por parte de mãe, porque ela era viúva e já tinha estas filhas quando se casou com meu pai). Nossa casa, ficava ao lado da casa da tia Clara.  Morávamos em Passa Quatro, mas o meu pai trabalhava em Itanhandu, na oficina com seus irmãos.  Ele ia e voltava, acho que todos  os dias de trem, ou talvez, de vez em quando de moto.

          Me lembro que certa vez, eu e a tia Clara fomos espera-lo na estação do trem, à noite.  E, para minha alegria e surpresa, ele me trouxe de presente, um velocípede, que ele mesmo havia feito na oficina, de acordo com suas habilidades mecânicas.  Essa imagem, ficou gravada na minha lembrança; o velocípede era de uma cor verde escuro, rodas de uma borracha oca, mas preenchida com um material parecido com madeira no lugar da emenda; as rodas traseiras eram presas com um "grampo" de ferro.  Tudo muito bem trabalhado. 

          Em uma outra oportunidade, ele me fez um caminhãozinho de brinquedo (todo de madeira), e saia a brincar comigo: eu puxando o caminhãozinho por um barbante, e ele sobrecarregando o caminhão com gravetos, como se fosse uma carga muito pesada.  Esta, é outra imagem que eu não esqueço.

          Certa vez, eu estava no quintal da nossa casa, e ele estava terminando de montar uma carrocinha de algodão-doce, que ele havia construído (certamente por encomenda de alguém). Quando ele estava testando a máquina de fazer o algodão-doce, eu me lembro que me recusava a comer "aquilo"; não sei explicar o porquê.  Ele insistia comigo, dizendo que era doce, que era bom, mas eu não aceitava. Não comia de jeito nenhum.  Mas o meu pai era bondoso e paciente comigo, ele mesmo comeu o algodão-doce sozinho.  Eu fiquei só olhando.  Coisa de criança, sei lá o que pensei.

          Quando a casa precisava de alguma obra, algum reparo, ele não contratava nenhum pedreiro.  Ele mesmo executava o serviço.  Ele tinha as ferramentas para isso: colher de pedreiro, prumo, peneira, e outros apetrechos. 

          Meu pai se foi (faleceu), eu me lembro que eu chorava muito, e muitas pessoas estranhas, presentes na minha casa, tentavam me agradar, me dando brinquedinhos, moedinhas para colocar em uma cestinha. Depois, não sei. Tudo se apagou da minha mente. Mas a sua imagem ficou. Me lembro dele até hoje. 

          Meu pai deixou muitos amigos em Passa Quatro, que o admiravam. Seus amigos me chamavam de Paulinho.  Até minhas irmãs me chamavam assim.  E minha mãe, mais tarde, também me contaria uma estória sobre o meu pai. 

          Ela me contou, que antes do meu pai morrer (ele estava doente), e chamaram um padre para visitar e "confessar" o meu pai... ... Mas o meu pai falou para o pedre: - "eu não tenho pecado". E disse mais o seguinte: - "olha, Sr. Padre, gaveta para mim, não precisa ter chave; e mulher, pode ser a mais bonita, mas eu não quero.  Eu só quero a minha mulher; não paratico nenhum crime, que pecado posso ter?"   

          O padre sorriu, e pacientemente lhe disse: pense bem, Sr. Paulo, às vezes a gente tem um pecadinho lá no fundo, quase esquecido...  Foi então que o meu pai respondeu: - "Ah, sim, acho que eu tenho sim um pecado, mas é só esse..."  E completou: - "Minha mulher, quando a conheci, ela ainda não era viúva, mas eu já gostava dela... "  O padre aceitou bondosamente a sua confissão e o abençoou. 
          Esta, é a estória do meu pai... ...
Paulo Köhn e sua moto

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CLARA KÖHN II

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Tia Clara x José Modesto (esta é uma outra estória)
          As tias Marta e Clara, morreram solteironas.  Porque?
          Bem, a Marta era solteirona de fato, assim meio "bicho do mato", nunca se interessou realmente.  Mas, e a tia Clara? Por que não se casou? Nunca teve pretendentes?


          ... Pretendentes não faltaram, como ela mesma contava, mas nunca aceitou nenhum deles.  Nunca teve um namoro sério quando era mais jovem.  Alguma coisa a impedia, uma espécie de bloqueio, talvez. Não sei. E os tempos e a educação eram diferentes naquela época.  -  Depois, ela justificava também, que o casamento para ela estava fora de cogitação, por uma razão familiar, ou seja, o destino lhe reservou alguns encargos de família: a mãe dela (vovó Martha), a irmã (tia Marta), o irmão (tio Guilherme Jr), e eu, seu sobrinho, que ela cuidou muito bem.

          A tia Clara sozinha, sustentava essas quatro pessoas.  Não era nada fácil.  Ela dizia: "como posso pensar em casamento, tendo essa responsabilidade toda em minhas costas?"... E eu, sou testemunha disso.

          Tia Clara trabalhava muito na sua máquina de costura (2 máquinas), dia e noite.  Alguém poderia perguntar: - mas e o irmão dela (o Guilherme Jr) não ajudava?  Bem, o tio Guilherme (nosso tio), possuía uma pequena oficina de pequenos consertos, e houve um tempo até, que ele ajudava um pouco.  Mas depois, a sua ajuda se tornou um fracasso, viciado que estava na bebida.  Tio Guilherme quando jovem, teve algumas namoradas, mas também nunca assumiu um casamento.  Nunca teve condições, e morreu solteiro. 

          E o José Modesto?  Onde é que ele entra nessa estória?  Vou contar.  É uma estória em que não posso afirmar a veracidade intencional da mesma, por razões que serão compreensíveis neste relato. Eu vou explicar.

          ... Tia Clara, como já contei, era costureira (Modista).  Ela tinha muitas freguesas.  Ela tinha duas freguesas que vinham de São Paulo para encomendar blusas, vestidos... e tinha também uma freguesa de nome "Dita" (devia ser Benedita), que morava em Pouso Alto-MG.  Era uma ótima freguesa, e sempre encomendava roupas com a tia Clara.  Essa freguesa era um pouco gordinha, e só a tia Clara acertava com suas medidas.

          Quando uma roupa da freguesa "Dita" ficava pronta, a tia Clara pedia a um maquinista do trem, o José Modesto, que por favor, entregasse a roupa da Dª Benedita lá em Pouso Alto, pois ela morava bem em frente à estação. 

          O José Modesto, era amigão da tia Clara.  Ele sempre vinha lá em casa, em Passa Quatro, perguntar se não tinha encomenda para levar.  Mesmo que não tivesse, ele entrava, tomava café, e ficava batendo papo com a tia Clara (longos papos).  Eu era ainda criança, e sempre que ele vinha lá em casa, a tia Clara pedia (ou mandava) que eu ficasse perto dela, na sala. (Tia Clara, José Modesto e eu, "segurando vela").  

          Eu achava aquilo uma chatice, mas ordem era ordem.  Eu obedecia.  Eu não entendia nada, se era namoro ou amizade.  Tia Clara nunca admitiu que fosse um namorado, mas ela guardava sua foto (que agora publico neste trabalho), guardava com muito cuidado e ciúme.

          ... Hoje, lembrando desses casos passados, e naturalmente com uma perspicácia mais aguçada, eu acredito que esse José Modesto (o maquinista do trem), paquerava a tia Clara.  Mas como eu disse, não posso afirmar a veracidade dessa intenção. 

          Hoje, se possível fosse, eu queria voltar no tempo só para tirar essa dúvida.  Mas, como diz um ditado, "Palavras o Vento leva", e antes que estas palavras sejam levadas pelo tento, eu as deixo aqui registradas.  Tia Cla, que Deus a tenha, me perdoe esta indiscrição. 
(Vejam a foto: José Modesto com a sua locomotiva, e ao fundo nossa casa em Passa Quatro)


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CLARA KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida)
Clara Köhn

          Clara Köhn, foi minha mãe de criação.  Quando meu pai morreu, eu ainda era criança, e então minha mãe se mudou para São Paulo.  Minhas irmãs (por parte de mãe), foram para Itajubá, e ficaram com nossa Avó materna (Carmelina Águida Conti), e eu fiquei em Passa Quatro com os tios, segundo meu pai havia pedido antes de morrer.  


          Fiquei mesmo, com a tia Clara.  Ela cuidava bem de mim, mas de vez em quando, minha mãe vinha me visitar. Mas vamos à estória:

          ... Clara Köhn, como seus irmãos, era uma mulher muito inteligente.  Ela sabia costurar, bordar, fazer crochê, enfim, trabalhos muito bonitos.  E aprendeu tudo sozinha.  Na sua época, não havia curso disso, ou curso daquilo.  E em matéria de costura, ela não era uma simples costureira, ela era modista, ou seja, inventava modelos próprios, com muita criatividade.  Ela tinha capacidade de fazer as roupas e os vestidos mais complicados.  Eu me lembro que certa vez, ela vez um vestido de noiva, para uma moça chamada Beatriz Galvão, filha de Francisco Galvão, prefeito da cidade.  Um vestido complicadíssimo, com uma infinidade de botões minúsculos, cobertos com o próprio tecido do vestido. Me parece que levou cerca de um mês ou mais, para ficar pronto.  O corpete do vestido, todo trabalhado no próprio tecido, não sei dizer o nome daquele trabalho. Algo realmente muito bonito, que mereceu muitos elogios na época.

          Tia Clara tinha uma freguesa, que se chamava Eni Gato.  Detalhe: essa mulher era enorme, e muito gorda. Tão gorda, que não passava na porta da nossa casa.  Era preciso abrir as duas folhas da porta para ela entrar.  Essa freguesa, pelo seu tamanho incomum, só podia fazer suas roupas sob encomenda. E só a tia Clara sabia fazer as suas roupas.  Em matéria de roupas, não havia mistério para a tia Clara: ela fazia japonas, paletós, capotes, enfim, tudo.

          Tia Clara passou praticamente sua vida inteira costurando.  Costurando, e sustentando sozinha, toda a sua família: sua mãe (vovó Martha), sua irmã (Marta), seu irmão (Guilherme Jr.) e eu.  Ela nunca se casou, justamente porque tinha atrás de si, toda uma família para sustentar.  E tanto trabalhou, que no final ela se desgostou da profissão.  Ao final, já com uma idade avançada, ela já não tinha mais gosto para costuras.  Fazia sim, alguma coisa, mas sem muito entusiasmo.

          Mas, voltando no tempo, eu passei boa parte da minha vida com ela.  Aprendi a ler e escrever com 5 anos de idade, tendo tia Clara como professora.  Depois, ela queria me ensinar a falar e escrever em alemão.  Ela me ensinava com um livro alemão intitulado Schnick - Schnack.  Era um livro com estórias folclóricas alemãs.  Na capa do livro, havia anões, duendes, bonecos.  Mas eu não gostava, o livro era todo escrito com letras do tipo "gótico", uma escrita com caracteres latinos, antigos, letras todas com ângulos.  Com esse livro, aprendi um pouco, mas não muito.  E também eu não tinha muito boa vontade para tal.  Mas aprendi uma oração em alemão, que ainda me lembro até hoje, uma oração para crianças.

          Todos os dias, antes de dormir, tia Clara me fazia rezar:
          " Ich bin Klein,
            Mein Herz ist rein
            Niemands soll drin wohnen,
            Als Gott allein"

Tradução:
            Eu sou pequeno,
            Meu coração é puro,
            Ninguém pode morar nele
            Senão Deus somente.
          Aos 11 anos, eu comecei a estudar no Ginásio São Miguel, em Passa Quatro-MG.  Colégio particular dos padres da Congregação Betharram (Belo Ramo).  Colégio pago.  Não era muito barato, mas a tia Clara fez questão que eu concluísse o curso ginasial. Ainda que com sacrifício financeiro da sua parte.  Ela me considerava como um filho de verdade.

          Tenho muitas e boas lembranças de quando estava junto com ela.  Depois eu cresci, e já adulto, minha vida não se ajustava com ela, pois cada um tem o seu modo de viver, e ela também tinha a sua vidinha toda particular, que em certo momento parou no tempo e no espaço.  Então eu me afastei, vivendo independentemente, mas eu nunca a deixei desamparada.  Quando ela estava bem idosa, sozinha, consegui alguém para cuidar dela.  Alguém que soubesse (como soube), relevar suas maneiras ranzinzas, coisas da idade.

          Tia Clara cumpriu sua missão nesta vida.  E assim como ela me ensinou a rezar, eu também rezo por ela hoje. Com amor, Paz e reconhecimento por tudo o que eu lhe devo.

          Tia Clara faleceu em Resende, no dia 17 de maio de 2000, aos 88 anos de idade.

(Nesta foto: Tio carlos com sua esposa e a enteada, tia Clara e a vovó Martha)

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MARTA KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida)
          Marta Köhn, filha de Martha Binder Köhn e Wilhelm Köhn (ou Guilherme Köhn), nasceu em Campinas-SP  em  08/08/1903 e faleceu em Passa Quatro-MG. em 05/02/1994.


          Essa tia Marta, nunca foi bem certa da cabeça.  Como diríamos, "lhe faltava uns parafusos". Às vezes, fico pensando por que tia Marta teria nascido;  pois ela nunca viveu a vida plenamente, nunca realizou nada: nunca teve namorado, nunca se interessou por nada, e nunca teve sonhos de conseguir alguma coisa.  Acho que ela veio para esta vida, apenas para resgatar algum carma de vidas passadas e depois regressar para onde só Deus sabe.

          Mas vamos lá.  Um pouco da sua estória.  Quando ela era mais jovem, até que passeava um pouco, junto com sua mãe (vovó Martha) ou com sua irmã (tia Clara).  Mas depois, ou seja, depois de algum tempo, viveu a sua vida inteira e até morrer, ao lado da sua irmã (tia Clara).

          Mas ela sabia ler, escrever, falava português e alemão.  Sinal de que não era retardada. Não. Era até inteligente.  Sabia por exemplo, corte e costura, aprendeu sozinha.  Mas nem por isso, se interessou em transformar isso em uma atividade econômica que lhe permitisse ganhar algum dinheiro.  Sua irmã (Clara) sim, sempre passou a vida inteira costurando  (era costureira famosa na cidade), e ganhando seu dinheiro.

          Mas a tia Marta sequer servia para ajudar a sua irmã, nessa profissão, nas mínimas tarefas que fossem.  Tia Clara bem que tentava, mas a tia Marta parece que sofria um bloqueio, e demorava, e demorava, e demorava, até para fazer uma bainha numa saia ou vestido de alguma freguesa.  Ela fazia e desmanchava, fazia e desmanchava, fazia e desmanchava até que a tia Clara perdia a paciência e fazia ela mesma o serviço.

          Como a tia Marta não tinha e não ganhava dinheiro, suas roupas eram feitas com retalhos de pano (sobras), que sua irmã (Clara) lhe dava.  Interessante: para si mesma, tia Marta sabia cortar e costurar.  Fazia por exemplo, um vestido com dois ou três panos (tecidos) diferentes: O corpo do vestido com um tecido de uma côr, e a saia de outro.  Uma comédia.

          Tia Marta porém sabia cozinhar.  Essa, foi a única coisa que ela fez durante a sua vida inteira. Mas a sua irmã constantemente reclamava do modo como a tia Marta preparava a comida .  Tia Clara xingava: "esse arroz angu!", ou seja, o arroz não ficava soltinho, e sempre era do tipo "papa".  Mas não adiantava reclamar.  Tia Marta só cozinhava assim: papa de arroz.  O café era sempre ralo (fraco) "água de batata". Havia também outras manias culinárias da tia Marta que nem me lembro mais.

          Morávamos em Passa Quatro.  Tia Marta nunca saia de casa.  Mas um certo dia, não sei o que deu nela, saiu sozinha a andar pela rua.  Sem falar para ninguém.  Mas depois não sabia voltar. E então, alguém viu aquela mulher assustada, perdida pela rua, e a conduziu de volta para casa.  Coisa de louco.

          Mas, por ela ser assim, meio birutinha, meus tios tinham pena dela.  Tio Carlos, às vezes lhe dava algum dinheiro (pouco), e tio Walter às vezes lhe levava doces, xarope de groselha que ela gostava, enfim ela parecia uma criança por gostar dessas coisas.

          E assim foi a vida da tia Marta. Uma vida vegetativa.  Depois eu a levei para Resende, e aí viveu junto com a tia Clara até morrer.  Morreu com 90 anos. Que Deus a tenha em bom lugar.

                                                        (Na foto: tia Marta e tia Clara)


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OLIMPIA KÖHN

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          OLÍMPIA  GOMES  KÖHN , casou-se com Walter Köhn em Itanhandu-MG, em 02/04/1954. Minha saudosa tia Olímpia.  Ela faleceu em 23/12/2011 aos 88 anos de idade.  Era filha de José Gomes Ribeiro e de Maria Francisca Ribeiro.


          Não tenho muitas estórias interessantes para contar da tia Olímpia, porque não tive uma convivência mais próxima com ela, assim como tive com as tias Clara e Martha. Mas, não posso deixar de registrar aqui, algumas lembranças familiares, e também algumas ilustrações, que valem por muitas palavras.

          O casal Walter Köhn e Olimpia Gomes Köhn, será sempre lembrado pelos filhos, sobrinhos e netos com muita saudade e apreço, por tudo aquilo ue eles viveram e pela lembrança que sempre levarão consigo. 

          Os filhos do casal são: José Walter, Rosângela, Afonso Celso, Fernando Antonio e Jaqueline. Já os mencionei no "perfil"do tio Walter.  Estes meus primos, darão continuidade à nossa família Köhn, e por sua vez, também contarão muitas estórias.  Que Deus ilumine seus caminhos, e de seus filhos. 

A caçula da família Köhn
(Acima, uma lembrança: Fernando, Rosângela, Celso e José Walter. Na segunda foto, jaqueline)

          Mas, voltando à Olímpia (tia Olímpia, ela tinha também 6 irmãos, que deixaram seus filhos bem próximoa destas estória que sigo contando.
Os irmãos da tia Olimpia:
1) José Antonio Ribeiro                              4) Vicente Gomes Ribeiro
2) Antonio José Ribeiro                              5)  Maria de Lourdes Ribeiro
3) Rosa Gomes Ribeiro                               6) Honorina Gomes Ribeiro

ILUSTRAÇÃO:
          Estes últimos, filhos da tia Honorina, eu tive assim uma proximidade com todos eles, desde criança, e os tenho com muita consideração e apreço por esta amizade.  Eu os considero também, como se fossem meus primos diretos, Afinal, são sobrinhos da minha tia Olimpia e tio Walter.
Segue portanto, algumas fotos lembranças comprovando esta afirmação:
família Guedes
                                          (Nesta foto, Milton Guedes (Miltinho) e esposa)

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WALTER KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Walter Köhn

          Walter Köhn, era um mecânico de verdade.  Mecânico geral, torneiro mecânico e desenhista técnico.  Desde quando estava na escola, era um craque em matemática.  Tia Clara é que sabia contar.  Ele não precisava de calculadora para fazer contas: multiplicação, divisão, soma ou subtração.  Sua cabeça era uma calculadora invisível.  Tio Walter sabia desenhar projetos mecânicos como ninguém.  Com uma régua metálica e um compasso também de metal, ele projetava desenhos sobre a própria chapa de metal.  Depois, com o maçarico, recortava a chapa de ferro de acordo com o desenho.


          Vou contar uma passagem que aconteceu comigo.  Eu era moleque. Lá em Passa Quatro-MG. Eu gostava de brincar, e fazia meus próprios brinquedos.  Certa vez, eu estava fazendo uma hélice de lata que saia voando depois de acionada com um carretel de linha (vazio) e um barbante.  Eu fazia a tal hélice de papel, recortava, e depois molhava a hélice de papel e a colocava sobre uma lata. O papel molhado, grudava na lata.  E, com uma tesoura de cortar lata, eu recortava a hélice.

          Meu tio Walter estava só me observando, na maneira como eu fazia essa hélice, mal desenhada primeiramente no papel. Terminado meu projeto de brinquedo, ele me chamou e disse: - vem cá, vou te ensinar como se faz isso.

          E, numa pequena oficina que havia lá em casa, do meu tio Guilherme, ele pegou um pedaço de lata, uma régua de metal e um compasso de ferro.  Sobre a lata, riscou uma linha reta, com a ponta do compasso de ferro.  Em cada ponta da linha reta, e com o compasso, desenhou um círculo.  Depois, marcou o centro da linha reta, e novamente com o compasso, desenhou um círculo menor.  

          Sobre a linha reta, então, estavam três círculos: um círculo menor no meio e dois circulos maiores em cada ponta.  Com a régua metálica, traçou quatro linhas tangentes às três circunferências.  Pronto: a hélice estava assim simetricamente desenhada. Agora era só recortar.  Abaixo, segue o desenho que assim aprendi a fazer, e que nunca mais esqueci:
          É fácil quando se sabe.  Obrigado, tio Walter.
          Tio Walter era também o escrivão da família.  Era ele quem escrevia ou respondia as cartas para os parentes (primos) na Alemanha.  Cartas em alemão, claro, e fez isso durante certo tempo, mas depois a comunicação foi interrompida, não se sabe o motivo.  Talvez por proibição da Rússia, que controlava tudo no então regime comunista. 

          Walter Köhn casou-se em Itanhandu, no ano de 1954 com Olimpia Gomes Köhn, e tiveram cinco filhos: José Walter Gomes Köhn (06/09/1954); Rosângela Gomes Köhn (01/07/1956); Afonso Celso Gomes Köhn (29/08/1958); Fernando Antonio Köhn (23/02/1964) e Jaqueline Köhn (05/07/1970).

(Na foto acima, Walter Köhn no centro da foto, com a mão no queixo.  Entre amigos de Itanhandu)

Lembrança de um amor familiar:
          Entre nosso avô (Wilhelm), nossa avó (Martha) e seus filhos, apesar de algumas contradições que possam ter ocorrido ao longo de sua existência, uma característica sempre foi muito marcante: o amor pela família.  Por exemplo: o tio Carlos e tio Walter; brigavam, houve separação, mas não alimentaram ódio ou ressentimentos.  Tio Walter esquecia sua desavença e procurava reconciliação com o tio Carlos. Este também esquecia tudo e se reconciliava com seu irmão.

          Já contei nestas estórias, que nosso avô adorava seus filhos.  E assim, tal como nosso avô, tio Walter também gostava de seus filhos, e tinha um carinho muito especial para com todos eles. Apenas para ilustrar, vou contar uma pequena lembrança: a Rosângela, quando era criança, era lourinha.  Tio Walter dizia que ela parecia um copinho de cerveja, e a chamava carinhosamente de "Biinha".  Esse apelido carinhoso, seria assim um diminutivo de Bier (cerveja em alemão).  

          Depois, a Rosângela foi crescendo, seu cabelo foi mudando de cor, e o seu apelido já não lhe caia bem, mas mesmo assim, esse apelido ficou para Jaqueline, que também era lourinha.  Tio Walter  de vez em quando também chamava sua filha Jaqueline de "Bi-inha".  Esse apelido carinhoso caiu bem para a Jaqueline, porque ela também era lourinha, tinha um cabelo comprido, e muito bonitinha. Até hoje eu a chamo pelo seu apelido, para que esta boa lembrança não se apague.  

          Os filhos da Jaqueline, bem como da Rosângela e demais primos, precisam saber destas estórias, e precisam manter viva a lembrança do vovô Walter.  Se ele fosse vivo, tenho certeza que adoraria seus netos.  Rezem por ele na paz, para que suas lembranças não se apaguem jamais.

          

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CARLOS KÖHN II

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(Uma estória dentro de uma estória de Carlos Köhn)
UMA ESTÓRIA QUE SE REPETE
          Vou contar uma estória, e acho que nunca contei para ninguém, ou pelo menos evitava de tocar nesse assunto, porque me dava um pouco de tristeza, mas, nesta oportunidade, acho importante deixar registrado.


Vamos à estória:
          ... Meu pai, Paulo Köhn, morreu de um câncer no intestino.  Ele ficou internado na Casa de Saúde Santa Luzia, no Rio de Janeiro.  Meus tios, Carlos, Walter e Clara, lhe deram toda assistência possível.  Eu era muito pequeno naquela época, e não entendia direito o que estava acontecendo.  Tenho vagas lembranças de uma viagem ao Rio de Janeiro: eu, minha mãe, tia Clara e tio Carlos.

         Naquela época, a medicina não estava avançada como hoje em dia.  Os médicos fizeram o ue foi possível, mas não foi possível salvar a vida do meu pai... E o tio Carlos me contou um fato que não me esqueço, e que depois viria se repetir mais tarde, com certas semelhanças...
Os médicos pediram, ou precisavam de umas bolsas de colostomia a serem usadas no tratamento do meu pai.

          Mas, essas bolsas não haviam nem no Rio e nem em São Paulo, que eram os maiores centros, ou seja, não havia no Brasil, disponível em nenhum hospital.  Diante disso, tio Carlos e tio Walter, resolveram unir esforços e importar essas bolsas dos Estados Unidos, único lugar possível.  Não sei como fizeram, quanto tempo levou, mas conseguiram!  As bolsas importadas chegaram ao hospital (Casa de Saúde Santa Luzia). 

          A finalidade dessas bolsas, é coletar o material do corpo humano, que normalmente é feito pelo intestino, mas com o intestino sob intervenção médica (cirurgia), essas bolsas são necessárias e devem ser trocadas, substituídas e com intervenção de um curativo apropriado.  Tia Clara contava que ficou muitos dias no hospital acompanhando o meu pai, e ela mesma fazia os seus curativos.  Ela contava também que era muito penoso e muito triste o sofrimento do seu irmão (meu pai).

          ... Antes de morrer, ainda no hospital, meu pai fez um pedido, para que meus tios cuidassem do seu filho, ou seja, eu, que agora estou contando esta estória.  Meu pai faleceu em l952. Bem, mas o tempo passou. Só o tempo cura as chagas que a vida nos deixa. 

          Neste ponto, dando um salto no tempo, estamos agora no ano de 1980.  Tio Carlos fica doente. Igualzinho ao meu pai: câncer no intestino.  Ele foi atendido primeiramente em Passa Quatro.  Uma operação de emergência, mas a Santa Casa recomendou que ele fosse para o Hospital de São Lourenço.  Eu mesmo levei nosso tio para São Lourenço.  Nova operação.  Mas o médico que o atendeu, recomendou que ele fosse levado para Belo Horizonte.  Somente lá, haveria condições de continuar o tratamento. 

          Bem, o médico redigiu o encaminhamento, me deu o endereço, e fomos nós para Belo Horizonte: tio Carlos, tia Clara e Paparuna.  Viajamos a noite toda de carro, e de manhãzinha estávamos no hospital recomendado pelo médico.  Hospital Felício Roxo.  Tio Carlos ficou internado.  Alguns dias depois, o hospital faz um pedido: era preciso comprar bolsas de colostomia, e o próprio hospital indicou o hospital da CSN (Cia Siderúrgica Nacional), onde essas bolsas poderiam ser compradas. Fui a Volta Redonda, e fiquei conhecendo a farmácia do hospital da CSN: era uma farmácia muito grande, e equipada com uma enorme quantidade de medicamentos, utensílios hospitalares, enfim, algo impressionante!  Comprei com facilidade as tais bolsas e as despachei com urgência pelo correio.

          Mais algum tempo se passou, e tio Carlos teve alta do hospital.  Novamente fui para Belo Horizonte para trazer o tio Carlos de volta.  Desta vez inclusive, o primo Fernando foi comigo.  Tio Carlos conseguiu prolongar sua vida por um tempo, mas acabou falecendo. 

          Neste ponto, é interessante ou curioso notar, como a estória se repete: primeiro, tio Carlos ajuda o seu irmão (Paulo); passado um tempo, o filho do seu irmão o ajuda numa situação idêntica; parece que a vida é um ciclo que às vezes se repete de formas muito parecidas.  Um mistério que merece uma reflexão...  Como disse Shakespeare: "Há  mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha a nossa vã filosofia".

         
       

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CARLOS KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Carlos Köhn
          Preâmbulo: o Carlos Köhn, assim como seu pai, causava sempre admiração onde quer que passava.  Sua marca registrada, eram os serviços que ele prestava: obras de caldeiras, altos fornos para Siderúrgicas, etc. Assim foi por exemplo, em Ouro Preto-MG, onde ele construiu um alto forno para uma empresa siderúrgica. Depois, mais recentemente, na oficina do então deputado federal Mario Tamborindeguy.


          Tio Carlos trabalhou na CITOR - Companhia Interestadual de Terra planagem Obras e Reparações.  A CITOR era uma empresa de construção de estradas (rodovias), pertencente àquele deputado.  Na oficina mecânica da Citor, o tio Carlos construiu uma pá mecânica de um trator, a qual foi erguida através de um guindaste e mereceu os elogios do próprio Dr. Mário Tamborindeguy: "um grande trabalho, digno do Brasil, e que não fica devendo nada ao produto estrangeiro". 

          Depois dessa apresentação, vamos contar um pouquinho da sua estória: ... Enquanto nosso avô era vivo, ele mantinha seus filhos unidos.  Afinal, o velho Wilhelm era muito respeitado!  Quando nosso avô morreu, a oficina mecânica de Itanhandu, ficou para os três filhos que aí trabalhavam: Walter, Carlos e Paulo.  Depois, meu pai morreu vitimado por um câncer no intestino, e na oficina ficaram apenas Walter e Carlos.  A parte do meu pai (Paulo), foi reclamada por minha mãe, e ela foi prontamente indenizada.

          Agora, a sociedade era apenas entre Walter e Carlos.  A sociedade durou algum tempo, mas os irmãos brigavam muito.  Que falta fazia o vovô, para mante-los unidos.  E as brigas continuaram.  Cada briga tinha um motivo.  Um dos motivos, que fiquei sabendo, era por causa de uma namorada do tio Carlos, a Nair Mendes, de Itanhandu.  (Eu me lembro dela, eu a conheci em Passa Quatro, quando eu ainda era criança). 

          Mas, voltando ao assunto, de vez em quando o tio Carlos recebia a visita de sua namorada no escritório da oficina.  Isso era motivo de briga. e briga feia.  Certa vez, o tio Walter ficou com a mão inchada depois de dar um soco no tio Carlos. 

          Bem, eles tanto brigaram, até que veio a separação da sociedade.  Tio Walter comprou a parte do tio Carlos e ficou sozinho com a oficina.  Foi aí que o tio Carlos começou a procurar outras oportunidades de emprego, em Ouro Preto, Congonhas, Barbacena, e finalmente em Itatiaia, na Companhia Citor.  Este é o resumo de tudo.

          Mas, vamos falar mais um pouco de coisas que me lembro do tio Carlos.  Fora sua profissão de Caldeireiro, uma das qualidades que eu admirava nele era a sua linguagem.  Ele falava muito bem tanto o português, como o alemão.  Em português, podemos construir frases com palavras bonitas, conhecendo bem o vocabulário.  Em alemão também é assim. E o tio Carlos sabia empregar bem as palavras e falar numa linguagem bem bonita em ambos os idiomas.  Quando estava sóbrio, não falava muito, mas quando bebia (ele bebia pinga pura, nada de misturas). bastava estar só um pouquinho alterado pela bebida, que ele ficava muito falante. 

          Eu gostava de ouvi-lo falar.  Ele admirava Hitler. Era fanático pelo nazismo de Hitler.  Se ele vivesse na Alemanha, com certeza seria um soldado do exército alemão.  Umas quantas vezes, ele repetia uma palavras do discurso de Hitler: "Alles das, was kein wert haben, vernichtung!  Und alles das, was sein wert hat, must auf genommen"...  Traduzindo, estas palavras queriam dizer: "tudo aquilo que não tiver valor, deve ser exterminado!  E tudo aquilo que seu valor tiver, deve ser amparado" - tradução do próprio tio Carlos.  Ele gostava de repetir estas palavras admirando Hitler. Ele contava que ouvia os discursos pelo rádio, numa transmissão de ondas curtas.  

          Tio Carlos, às vezes bebia demais.  Quando bebi além da conta, a bebida atacava o seu cérebro.  Ele ficava louco e brigão.  Todo mundo tinha medo dele. 
Tio Carlos casou-se com idade já avançada. (Veja a foto) Casou-se com Zafiriça Karagianis Papadopoulos, mais conhecida pelo seu apelido, Paparuna. Ela era viuva de Afonso Lopes de Almeida, e tinha com este, uma filha: Hebe Lopes de Almeida.  Hebe casou-se com um colombiano, e foi morar nos Estados Unidos (California), onde seu marido trabalhava. A Hebe, também tem dois filhos: Luis Afonso e Carlos Augusto. 

          A mulher do tio Carlos era estrangeira, de nacionalidade Grega.  Ela soube conviver com o tio Carlos, apesar de suas "pinguinhas" que às vezes o deixava descontrolado.  Tio Carlos tinha seus momentos críticos, de brigas, enfim, mas ele gostava da família.  Não guardava qualquer ressentimento, e adorava a sua mãe.  Vovó Martha, morreu em seus braços, nos seus 96 anos.
(  Seguirei contando sobre o tio Carlos, no próximo Menu 2, "Sub-menu" da página principal: Veja, Carlos Köhn II  )

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GUILHERME KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Guilherme Köhn Junior
Esse filho de Wilhelm Köhn e Martha Binder, aprendeu a trabalhar como mecânico porque foi obrigado, mas ele detestava essa profissão.  Naquela época, os filhos obedeciam a vontade do pai.  Era assim na família Köhn.


          Conta-se que quando eram ainda bem jovens, pai e filhos, trabalhavam juntos, na oficina mecânica de Cruzeiro-SP.  E, quando se aproximava o final do expediente, o Guilherme Jr. se antecipava guardando as ferramentas, ia limpando a bancada, lavando as mãos, e já ia se aproximando do portão de saída.

          Quando soava o apito da oficina como sinal do encerramento do expediente, o Guilherme Junior era o primeiro a sair, e ia quase que correndo para casa. Aliviado!  Era assim todos os dias. 

          A vocação desse filho, estava para as artes.  Era um verdadeiro artista.  Masa na época, seu pai não entendia dessas coisas e acho que também não haviam muitas oportunidades para tal.  Mais tarde porém, acho que depois da morte do seu pai, ele se realizaria de alguma forma, mesmo como simples amadorismo.  Mas antes disso, quando seu pai (Wilhelm) lhe presenteou com um violino, ele rapidamente aprendeu a tocar esse instrumento.  

          Aprendeu sozinho a notação musical, e compilava de próprio punho suas partituras para violino.  Ele gostava de teatro, e chegou a reunir um grupo de amigos, e criou um grupo de teatro amador.  Encenaram várias peças, inclusive uma que se chamava "A filha do marinheiro".  Um dos componentes desse grupo de teatro amador, era um homem chamado Waldemar Machado, de Passa Quatro.  Lá, em Passa Quatro, muita gente deve ter conhecido essa figura.  O Guilherme Köhn Jr., tinha muitos livros de peças de teatro. 

          Nosso tio Guilherme, tinha vocação para pintura.  O cenário do seu teatro era pintado por ele mesmo.  Ele desmanchava sacos de cimento, emendava as folhas uma às outras, e pintava o cenário de acordo com a peça teatral a ser apresentada.  E ficava muito bonito, diziam as pessoas. 

          Em Passa Quatro porém, ele ganhava seu dinheiro com uma oficina de pequenos consertos. Ele consertava máquinas de costura, espingardas, garruchas, fazia cópia de chaves, sabia abrir cofres quando alguém perdia o segredo, fabricava formas de doces, forjava utensílios de metal como panelas, canecas e vasilhames com alça de ferro, enfim muitas coisas desse tipo.  Ele denominava sua oficina de Micro Mechânica Oficina.

          Mas o vicio do tio Guilherme era a bebida.  Mas eu gostava mais do meu tio quando ele havia tomado umas e outras, porque então ele ficava muito generoso para comigo .  Sempre me presenteava com revistinhas infantis, e também revistas em quadrinhos de Charlie Chan, Flash Gordon, e outas.  Na minha infância e adolescência, eu passei muitos momentos com meu tio.

          Ele morreu solteiro, e não deixou sequer complicações para a família resolver. Pobre tio Guilherme, tenho saudades dele até hoje. 
Violinista Guilherme Köhn Jr
(Nesta foto, vemos o Guilherme Köhn Junior ao fundo, com seu violino em um conjunto formado por amigos da época, em Cruzeiro-SP)

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VOVÓ MARTHA II

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MARTHA BINDER KÖHN 
(Unsere Großnutter = Nossa Avó)
Continuação...

Lembrança de um choro solitário

          Vou contar, de uma lembrança que eu tenho da Martha Binder Köhn, nossa vovó Martha.
          Nós morávamos em Passa Quatro-MG.  A vovó, já idosa, sentada em um banco de madeira, de cor escura, que ficava na cozinha sub uma janela;  um banco comprido que suportava confortavelmente 4 pessoas. (Meus primos devem se lembrar desse banco, pois era uma espécie de ponto para reuniões familiares). 

          Muitas vezes, eu vi minha vovó sentada nesse banco, e penteando seus longos cabelos brancos (me parecia que eram tão longos que esbarravam no chão).  -  Mas, depois ela dava um jeito naqueles cabelos soltos, trançava ou juntava tudo, enrolava, e com as mãos voltadas para traz da sua cabeça, fazia um coque nos cabelos.  Eu não entendia como ela conseguia fazer isso. 

          Mas, o que eu quero contas mesmo é o seguinte: ... Por diversas vezes, eu via ou ouvia um choro vindo da cozinha... Eu, criança e curioso, via a vovó sentada naquele banco penteando seus cabelos soltos que escondiam o seu rosto, e chorando audivelmente.  Eu corria e contava para a tia Clara: - Vovó está chorando... Mas a tia Clara me dizia: vá brincar lá fora, deixe a vovó chorar, não a perturbe (mais ou menos estas palavras).

          Mas eu compreendia que a tia Clara na verdade, respeitava esse choro solitário da sua mãe (vovó), cujo motivo somente a vovó poderia dizer (solidão e saudade, talvez).  Pobre vovó, que Deus a tenha. 

          Me lembro também quando ela morreu, lá em Passa Quatro;  estavam presentes no cemitério: eu, o tio Walter, o Hugo (empregado do tio Walter) e meu primo Celso, além de muitas outras pessoas.  O caixão foi aberto pela última vez, e o Hugo disse para o Celso: - "Olhe bem para a sua vó, guarde bem a lembrança da mãe do seu pai, a sua avó" (foram mais ou menos estas palavras).  E o Celso ficou olhando, como que obedecendo e compreendendo aquelas palavras. 

          "Tudo está ainda diante dos meus olhos", esta lembrança, como se fosse um filme de cinema, e no meu interior, eu também estou chorando silenciosamente, como esse choro solitário da vovó.

OBSERVAÇÕES:
Martha Binder, nasceu na cidade de Stettin, Alemanha, em 10/04/1874, e faleceu em Passa Quatro-MG, em 08/01/1970, aos 96 anos de idade.
Sua mãe, ou seja, nossa bisavó materna, se chamava Emilie Binder, casada com Friederich Binder (nosso bisavô materno). - Não temos maiores informações sobre Emílie Binder e seu marido, mas lá na Alemanha, nos registros dos cartórios ou das igrejas, com certeza existe algum registro com mais informações nesse sentido.

          A seguir, algumas ilustrações e notas:

 Acima, uma foto de Stettin, Alemanha (na foto, uma recordação da Igreja Protestante da vovó, em sua cidade natal). Depois, ao lado esquerdo, Hanni Höping (filha de Helene), seu marido, e seu filho Hans.  Hanni Hoping, agora casada, passou a chamar-se Hanni Dietrich.
Hanni era sobrinha de Martha Binder (vovó),  e prima de nossos tios, (e nossa prima também).  Ela sempre mantinha contato através de correspondências, principalmente com o tio Walter, mas um dia, esse contato se perdeu, talvez por proibição do regime de governo russo, vigente na época pós guerra.
O primo Celso tem guardado suas cartas.

A seguir, abaixo, uma ilustração da família de Martha Binder Köhn e Wilhelm Köhn.








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VOVÓ MARTHA I

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MARTHA BINDER KÖHN

(Unsere Großmutter = Nossa Avó)

          Nossa avó, esposa de Guilherme (Wilhelm Köhn), nasceu na cidade de Stettin, Alemanha, em 10/04/1874.  E, conforme já mencionado anteriormente, ela veio sozinha para o Brasil, para se encontrar com o seu futuro marido, que certamente lhe prometera essa união.  E cumpriu a promissa.  Martha Binder deixou tudo para trás: seu país (sua Deutschland), sua família, sua vida, tudo.


Marta Binder, tinha três irmãs: Mari Grot, Helene Höping, e Ana.  A seguir, uma ilustração das suas irmãs, com algumas legendas:




          Prosseguindo com "Uma estória, depois outras", vou falar um pouquinho sobre a nossa vovó. Eu, (Guilherme Köhn, Neto), convivi muito tempo com minha vovó.  Praticamente toda minha infância e adolescência, em Passa Quatro-MG.  Ela nunca aprendeu a falar a nossa língua portuguesa. Apenas umas e outras palavras.  Ela se comunicava somente em alemão com seus filhos (meus tios e minhas tias).  E dessa convivência  com minha vó e familiares, aconteceu algo curioso ou interessante.  Eu aprendi a entender a língua alemã, mas eu mesmo nunca falei ou pratiquei o alemão nesse tempo e nessa oportunidade. Às vezes, em que minha tia falava comigo em alemão, eu respondia em português. 

          Mas, voltando à nossa vovó Martha, ela professava a religião protestante luterana, e conhecia muito da Bíblia.  Sabia de cór o nome de todos os profetas bíblicos.  De vez em quando, ela se recordava de certas passagens bíblicas, para ensinar a seus filhos alguma lição de vida.

          Ela também recordava sempre, da sua cidade natal, Stettin.  Dizia que era uma cidade linda, e que tinha muita vontade de um dia rever sua cidade alemã (infelizmente porém, isso nunca aconteceu).  De vez em quando, ela também contava estórias, ou seja, recordações de pessoas e de acontecimentos na Alemanha (in Deutschland), que deixara para trás.

          Mas, nessa época em Passa Quatro, eu mesmo não dava atenção a essas estórias.  Não me interessava.  Eu era muito jovem, e meus interesses estavam sempre longe dessas coisas de "antigamente".  Eu era rebelde nesse ponto .  Mesmo assim, aprendi um pouco pela convivência . Aprendi, por exemplo, uma oração para crianças, e aprendi a cantarolar uma canção de natal.  E por eu ser assim, desinteressado, muitas boas estórias se perderam para sempre.  Hoje me sinto arrependido. 

          Vovó era uma mulher de uma saúde invejável.  Dificilmente tomava remédios.  E aos 84 anos, submeteu-se a uma operação de vesícula, em Passa Quatro.  O médico que a operou, naquela época, se chamava Dr. Gilberto, e ele mesmo ficou admirado com o sucesso da operação, preocupado que estava com a idade da vovó. 

          Já o marido de Martha Binder era cardíaco e morreu cedo, aos 56 anos, e foi enterrado em Itanhandu, onde ultimamente estava trabalhando.  Posteriormente, seus restos mortais (seus ossos) foram desenterrados e transladados para Passa Quatro, num jazigo perpétuo que serviria para toda a família. 

          Eu me lembro que a vovó Martha se vestiu de luto por muitos anos, além do tempo que era costume, e todos os anos, no dia de finados, ela ia ao cemitério de Passa Quatro depositar flores no túmulo onde estava enterrado seu marido.  Eu sempre ia junto, e ajudava a levar flores. 

          Também me lembro quando a vovó morreu, com 96 anos.  Ela morreu nos braços do seu filho que a adorava (o nosso tio Carlos).  Até hoje me entristeço quando me lembro, mas, afinal, tudo passa sobre a terra. 
(Obs. Continua, no próximo bloco de estórias, ou seja no próximo "Menu" Vovó Martha II)





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PERFIL DE WILHELM

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Um Pouco do perfil de Wilhelm:

1) Seu caráter:
          Era um homem extremamente honesto e de princípios.  Não admitia desaforos.  Por causa desse seu caráter intransigente, muitas vezes saia prejudicado, mas não voltava atrás em suas decisões.  Isto o levou inúmeras vezes, a abandonar tudo (seu emprego), e mudar de cidade. Tio Carlos (seu filho), falava da brabeza do seu pai (Wilhelm).  Tia Clara contava que eles (a família toda) viviam mudando de cidade.  Eles moraram em São Paulo (Osasco), Campinas-SP, Uberaba-MG, Cruzeiro-SP, Passa Quatro-MG, Virgínia-MG, e Itanhandu-MG.  E também outros lugares de trabalhos temporários, mas não com a família toda, mas que não tenho maiores detalhes.

2)  Seus Costumes:
          O vovô Wilhelm, ou simplesmente Sr. Guilherme, como era conhecido, era um homem caprichoso no seu modo de vestir, e exigente em matéria de qualidade. Se vestia com elegância quando, por razões que não sei bem porque, viajava para São Paulo, e para Campinas.  Talvez a negócios.  Viajou até para a Alemanha, a serviço da Rede Sul Mineira.

          Ele também tinha um vício.  O jogo.  Gostava de apostar na roleta.  Mas, por sua extrema honestidade e ingenuidade, os espertalhões sempre usavam de trapaças, quando se tratava de jogo.  Às vezes, perdia todo o seu salário no jogo, e fazia a dona Martha sofrer muito.  Mas ela suportava tudo resignadamente.  Jamais tiveram uma briga.  (Essa fraqueza do vovô, me foi contada pelo tio Carlos).

          O vovô também gostava de Chope, e permitia até que suas filhas também tomassem (mas isto aconteceu pouquíssimas vezes, afinal o dinheiro era sempre escasso para essas coisas.)  De vez em quando fumava charuto.  Ensinou e permitiu que seu filho (Carlos) também fumasse.

          O nosso avô era muito severo, mas gostava de seus filhos.  Quando certa vez viajou para a Alemanha a serviço, para inspecionar as locomotivas para a ferrovia, trouxe de lá (da Alemanha), uma boneca para sua filha Clara.  Trouxe também outros presentes para a família. Vovô era apaixonado por música, e não sei em que época foi, ele presenteou seu filho Guilherme Köhn Jr., com um violino, cópia fiel do famoso violino Stradivarius (ainda tenho guardado, o que sobrou desse violino)  Para o seu pequeno filho Paulo (meu pai), trouxe certa vez, um carrinho de brinquedo (modelo de um automóvel antigo, que eu guardo até hoje comigo como uma saudosa lembrança do meu pai).

Elegância de antigamente          Naquela época, o uso de bengala conferia um toque de elegância e distinção para quem a usasse.  E nosso avô, não dispensava o seu uso, pois fazia parte da indumentaria da época.  A bengala do nosso avô, está guardada comigo até hoje, conservadinha (uma relíquia).  Eu também guardo ainda, a sua cartola (do tipo Batmasterson, ou Chaplin).  Sua cartola está um pouco danificada pela ação do tempo, mas dá para ler no forro da Cartola: "Qualitá Superiore - BORSALINO - Alessandria".  Significa que era uma cartola com marca de fabricação italiana, mas acho que foi comprada em Hamburgo, cidade "Chic" da época, e frequentada por nosso vovô, quando tinha oportunidade (poucas oportunidades, creio).  Nossa vovó Martha, é que sempre falava de Hamburgo, com certa admiração e palavras elogiosas.


3) DADOS PESSOAIS:
          August Friedrich Wilhelm Köhn, nasceu na cidade de Teschendorf - Alemanha em 23/julho/ 1874, e faleceu em Itanhandu, na data de 03/setembro/ 1931.  Maiores detalhes sobre a cidade de Teschendorf, estão nos documentos de pesquisas do primo Afonso Celso.
Ilustração: HAMBURG:

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