CARLOS KÖHN
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Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Carlos Köhn
Preâmbulo: o Carlos Köhn, assim como seu pai, causava sempre admiração onde quer que passava. Sua marca registrada, eram os serviços que ele prestava: obras de caldeiras, altos fornos para Siderúrgicas, etc. Assim foi por exemplo, em Ouro Preto-MG, onde ele construiu um alto forno para uma empresa siderúrgica. Depois, mais recentemente, na oficina do então deputado federal Mario Tamborindeguy.
Tio Carlos trabalhou na CITOR - Companhia Interestadual de Terra planagem Obras e Reparações. A CITOR era uma empresa de construção de estradas (rodovias), pertencente àquele deputado. Na oficina mecânica da Citor, o tio Carlos construiu uma pá mecânica de um trator, a qual foi erguida através de um guindaste e mereceu os elogios do próprio Dr. Mário Tamborindeguy: "um grande trabalho, digno do Brasil, e que não fica devendo nada ao produto estrangeiro".
Depois dessa apresentação, vamos contar um pouquinho da sua estória: ... Enquanto nosso avô era vivo, ele mantinha seus filhos unidos. Afinal, o velho Wilhelm era muito respeitado! Quando nosso avô morreu, a oficina mecânica de Itanhandu, ficou para os três filhos que aí trabalhavam: Walter, Carlos e Paulo. Depois, meu pai morreu vitimado por um câncer no intestino, e na oficina ficaram apenas Walter e Carlos. A parte do meu pai (Paulo), foi reclamada por minha mãe, e ela foi prontamente indenizada.
Agora, a sociedade era apenas entre Walter e Carlos. A sociedade durou algum tempo, mas os irmãos brigavam muito. Que falta fazia o vovô, para mante-los unidos. E as brigas continuaram. Cada briga tinha um motivo. Um dos motivos, que fiquei sabendo, era por causa de uma namorada do tio Carlos, a Nair Mendes, de Itanhandu. (Eu me lembro dela, eu a conheci em Passa Quatro, quando eu ainda era criança).
Mas, voltando ao assunto, de vez em quando o tio Carlos recebia a visita de sua namorada no escritório da oficina. Isso era motivo de briga. e briga feia. Certa vez, o tio Walter ficou com a mão inchada depois de dar um soco no tio Carlos.
Bem, eles tanto brigaram, até que veio a separação da sociedade. Tio Walter comprou a parte do tio Carlos e ficou sozinho com a oficina. Foi aí que o tio Carlos começou a procurar outras oportunidades de emprego, em Ouro Preto, Congonhas, Barbacena, e finalmente em Itatiaia, na Companhia Citor. Este é o resumo de tudo.
Mas, vamos falar mais um pouco de coisas que me lembro do tio Carlos. Fora sua profissão de Caldeireiro, uma das qualidades que eu admirava nele era a sua linguagem. Ele falava muito bem tanto o português, como o alemão. Em português, podemos construir frases com palavras bonitas, conhecendo bem o vocabulário. Em alemão também é assim. E o tio Carlos sabia empregar bem as palavras e falar numa linguagem bem bonita em ambos os idiomas. Quando estava sóbrio, não falava muito, mas quando bebia (ele bebia pinga pura, nada de misturas). bastava estar só um pouquinho alterado pela bebida, que ele ficava muito falante.
Eu gostava de ouvi-lo falar. Ele admirava Hitler. Era fanático pelo nazismo de Hitler. Se ele vivesse na Alemanha, com certeza seria um soldado do exército alemão. Umas quantas vezes, ele repetia uma palavras do discurso de Hitler: "Alles das, was kein wert haben, vernichtung! Und alles das, was sein wert hat, must auf genommen"... Traduzindo, estas palavras queriam dizer: "tudo aquilo que não tiver valor, deve ser exterminado! E tudo aquilo que seu valor tiver, deve ser amparado" - tradução do próprio tio Carlos. Ele gostava de repetir estas palavras admirando Hitler. Ele contava que ouvia os discursos pelo rádio, numa transmissão de ondas curtas.
Tio Carlos, às vezes bebia demais. Quando bebi além da conta, a bebida atacava o seu cérebro. Ele ficava louco e brigão. Todo mundo tinha medo dele.
Tio Carlos casou-se com idade já avançada. (Veja a foto) Casou-se com Zafiriça Karagianis Papadopoulos, mais conhecida pelo seu apelido, Paparuna. Ela era viuva de Afonso Lopes de Almeida, e tinha com este, uma filha: Hebe Lopes de Almeida. Hebe casou-se com um colombiano, e foi morar nos Estados Unidos (California), onde seu marido trabalhava. A Hebe, também tem dois filhos: Luis Afonso e Carlos Augusto.
A mulher do tio Carlos era estrangeira, de nacionalidade Grega. Ela soube conviver com o tio Carlos, apesar de suas "pinguinhas" que às vezes o deixava descontrolado. Tio Carlos tinha seus momentos críticos, de brigas, enfim, mas ele gostava da família. Não guardava qualquer ressentimento, e adorava a sua mãe. Vovó Martha, morreu em seus braços, nos seus 96 anos.
( Seguirei contando sobre o tio Carlos, no próximo Menu 2, "Sub-menu" da página principal: Veja, Carlos Köhn II )

