PAULO KÖHN
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Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Paulo Köhn, era como seus irmãos, mecânico de profissão. Trabalhava junto com Walter e Carlos na oficina de Itanhandu. Casou-se em 09/02/1949 (ano do meu nascimento), com Maria Luiza Marcondes. Tenho guardado até hoje, uma lembrancinha do seu enlace matrimonial. Paulo Köhn, meu querido pai.
Tio Carlos contava que ele era muito calado. Sempre foi. Não reclamava de nada. Nem quando estava com algum problema de saúde. Sofria calado, sem reclamar.
Mas o meu pai, além de mecânico, sabia fazer muitas coisas, era o "homem dos 7 ofícios"; era mecânico, pedreiro, carpinteiro, eletricista, gostava de tocar acordeon, e gostava de pilotar a sua moto Harley Davison. Eu era muito pequeno, mas eu me lembro de algumas coisas:
... nós morávamos em Passa Quatro. Eu, meu pai, minha mãe e minhas 4 irmãs: Eni, Ivone, Isabel e Irene (irmãs por parte de mãe, porque ela era viúva e já tinha estas filhas quando se casou com meu pai). Nossa casa, ficava ao lado da casa da tia Clara. Morávamos em Passa Quatro, mas o meu pai trabalhava em Itanhandu, na oficina com seus irmãos. Ele ia e voltava, acho que todos os dias de trem, ou talvez, de vez em quando de moto.
Me lembro que certa vez, eu e a tia Clara fomos espera-lo na estação do trem, à noite. E, para minha alegria e surpresa, ele me trouxe de presente, um velocípede, que ele mesmo havia feito na oficina, de acordo com suas habilidades mecânicas. Essa imagem, ficou gravada na minha lembrança; o velocípede era de uma cor verde escuro, rodas de uma borracha oca, mas preenchida com um material parecido com madeira no lugar da emenda; as rodas traseiras eram presas com um "grampo" de ferro. Tudo muito bem trabalhado.
Em uma outra oportunidade, ele me fez um caminhãozinho de brinquedo (todo de madeira), e saia a brincar comigo: eu puxando o caminhãozinho por um barbante, e ele sobrecarregando o caminhão com gravetos, como se fosse uma carga muito pesada. Esta, é outra imagem que eu não esqueço.
Certa vez, eu estava no quintal da nossa casa, e ele estava terminando de montar uma carrocinha de algodão-doce, que ele havia construído (certamente por encomenda de alguém). Quando ele estava testando a máquina de fazer o algodão-doce, eu me lembro que me recusava a comer "aquilo"; não sei explicar o porquê. Ele insistia comigo, dizendo que era doce, que era bom, mas eu não aceitava. Não comia de jeito nenhum. Mas o meu pai era bondoso e paciente comigo, ele mesmo comeu o algodão-doce sozinho. Eu fiquei só olhando. Coisa de criança, sei lá o que pensei.
Quando a casa precisava de alguma obra, algum reparo, ele não contratava nenhum pedreiro. Ele mesmo executava o serviço. Ele tinha as ferramentas para isso: colher de pedreiro, prumo, peneira, e outros apetrechos.
Meu pai se foi (faleceu), eu me lembro que eu chorava muito, e muitas pessoas estranhas, presentes na minha casa, tentavam me agradar, me dando brinquedinhos, moedinhas para colocar em uma cestinha. Depois, não sei. Tudo se apagou da minha mente. Mas a sua imagem ficou. Me lembro dele até hoje.
Meu pai deixou muitos amigos em Passa Quatro, que o admiravam. Seus amigos me chamavam de Paulinho. Até minhas irmãs me chamavam assim. E minha mãe, mais tarde, também me contaria uma estória sobre o meu pai.
Ela me contou, que antes do meu pai morrer (ele estava doente), e chamaram um padre para visitar e "confessar" o meu pai... ... Mas o meu pai falou para o pedre: - "eu não tenho pecado". E disse mais o seguinte: - "olha, Sr. Padre, gaveta para mim, não precisa ter chave; e mulher, pode ser a mais bonita, mas eu não quero. Eu só quero a minha mulher; não paratico nenhum crime, que pecado posso ter?"
O padre sorriu, e pacientemente lhe disse: pense bem, Sr. Paulo, às vezes a gente tem um pecadinho lá no fundo, quase esquecido... Foi então que o meu pai respondeu: - "Ah, sim, acho que eu tenho sim um pecado, mas é só esse..." E completou: - "Minha mulher, quando a conheci, ela ainda não era viúva, mas eu já gostava dela... " O padre aceitou bondosamente a sua confissão e o abençoou.
Esta, é a estória do meu pai... ...
