UMA ESTÓRIA

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Daniele

Uma estória para refletir:

          Já contei nestas estórias da "Familia Köhn", que nossa avó, Martha Binder Köhn, deixou tudo para trás, deixou sua família, suas irmãs, sua vida na Alemanha, e veio para o Brasil, para se encontrar com Wilhelm, seu futuro marido.  E assim aconteceu.


          Ela nunca mais teve condições de voltar para sua terra (sua Deutschland), nem para passear.  Sua vida aqui, havia mudado, e os tempos eram difíceis.  Depois, mais tarde, já idosa, chorava de saudades da sua terra natal. 

          E hoje, (2017), guardando as devidas proporções, esta estória se repete, de uma forma muito semelhante.  É o caso da Daniele, filha do Afonso e Janice;  ela deixou tudo aqui, sua família, seus irmãos, e foi para a Alemanha, e lá se encontrou com Sebastian (agora seu marido). Daniele deixou o Brasil para viver sua vida na Alemanha; o inverso da nossa vovó Martha. 

Ah! Sweet Mystery of Life

Ah! Sweet mystery of life, at last I've found thee
Ah! Doce mistério da vida, finalmente eu te encontrei
Ah! I know at last the secret  of it all
Ah, Eu sei, finalmente, o segredo de tudo
All the longing,  striving, seeking, waiting, yearning
Todo o desejo, lutando, buscando, esperando, ansiando
The burning hopes, the joys and idle tears that fall
A esperança ardente, as alegrias e lágrimas ociosas  que caem!

( Música interpretada por Mário Lanza )

         


   

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ILUSTRAÇÃO

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família Köhn

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AFONSO CELSO III

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RAÍZES DA FAMÍLIA KÖHN - Continuação...
Por Afonso Celso Gomes Köhn

HENRIETTE WILHELMINE HOPPE, nascida em Greifenhagem, Pomerânia, Príssia, em 27/09/1857 e falecida em 27/11/1920, casada com KARL FRIEDRICH KÖHN, nascido em Greifenhagem, Pomerânia, Prússia, em 10/03/1840 e falecido em 17/11/1912. 

AUGUSTE RODEL, nascida em Noustettin, Pomerânia, Prússia, em 08/02/1839 e falecida em 08/01/1889, casada com KARL FRIEDRICH KÖHN, nascido em Greifenhagem, Pomerânia, Prússia, em 10/03/1840 e falecido em 17/11/1912.

          Sabendo que meu bisavô havia se casado anteriormente e cuja filha chamou-se Auguste e pela coincidência de datas, acredito que Auguste Rodel foi sua primeira esposa. 

          Que coincidências vejo novamente: o primeiro nome e o segundo nome, do registro no FamilySearch.  Na certidão de óbito do meu avô está registrado que sua mãe se chamaria JOSEPHINA KÖHN.  Minha tia por não concordar com isto, adulterou-a e escreveu por cima: GUILHERMINA (WILHELMINE) WOLF.  Em virtude disto, acredito que os dados do FamilySearch sejam de minha bisavó Henriette.

          Pelo que sabemos, minha bisavó teria se separado de Karl, pois como eles teriam vindo para colonizar o estado de Santa Catarina e as condições de vida eram precárias, ela não teria aguentado e teria dado um novo rumo em sua vida.  Uniu-se a um senhor de nome Charles Doevenford, que seria holandês, teriam vindo morar em Campinas, enriquecido com o comércio de linguiça e viajado muitas vezes à Alemanha.

          Nosso trabalho não termina aqui.  Dando continuidade ao trabalho começado e desenvolvido por nosso primo Guilherme, filho de Tio Paulo, irmão de meu pai, quero deixar aqui registrado o resultado de minhas pesquisas em busca de nossas raízes paternas e em particular também de minhas raízes maternas.  

          Acredito que, toda informação que conseguir, em conjunto com tudo que até hoje conseguimos resgatar de nosso passado através de nossos entes ainda vivos e dos que já se foram e que hoje fazem parte de nossas recordações, só farão aumentar ainda mais o valor desta obra. 

          Para que este trabalho possa se perpetuar, e tantas quantas forem as pessoas que vierem a fazer parte desta árvore cujas raízes são infindáveis, dentro do possível procurem aqui registrar a sua existência através de certidões, fotos e tudo quanto for de interesse para o seu engrandecimento.

          A quem no futuro manusear este trabalho verá que, eu, você e tantos outros seremos um capítulo a mais deste livro que não terá epílogo.  Que como eu todos também deixem aqui registrado um capítulo de sua existência que comporão esta obra que não será só de Köhn, Gomes, Ribeiro, Ribeiro de Carvalho, Carneiro, Passos, Oliveira, Monteiro...

          Meu primo Guilherme começou, e eu acredito também que contribui um pouco e espero que outros que nos sucederem possam continua-lo.  A semente foi lançada. 

"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença.  É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia.  Nasceu num contexto específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas.  Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão.  É o mesmo que mutilá-lo".
                                                           (Carl Gustav Jung)

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AFONSO CELSO II

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RAÍZES DA FAMÍLIA KÖHN - Continuação...
Por Afonso Celso Gomes Köhn

          Meu avô deve ter vivido ao lado de sua mãe e seu padrasto toda sua adolescência, voltou para a Alemanha, trabalhou um pouco por lá e quando tinha 17/18 anos, para fugir do serviço militar, voltou para o Brasil e foi morar em Campinas.  Isto deve ter se passado em mais ou menos em 1891/1892. 

          Daí até ele se casar lá pelo ano de 1900, pois meu primeiro tio nasceu em Campinas em 1901, não sabemos nada de sua vida.  Minha segunda tia também nasceu em Campinas.  Daí para frente ele foi mudando de lugar em lugar, até se estabelecer nesta região, Sul de Minas Gerais e é onde eu entro na história.

          Nasci em 1958.  Minha avó Martha Köhn, que também é alemã (nascida Binder), nasceu em Schefelhein ou Schivelbein (conforme registro na certidão de óbito de meu avô) e que hoje voltou a se chamar Swidwin (Polonia) em 10/04/1874 e faleceu aqui no Brasil em 08/01/1970.  Em sua certidão de óbito está registrado que seus pais se chamariam Ricardo Binder e Emilia Binder e qaue era natural de Stettin (Alemanha), hoje Szczecin (Polonia).  Nas certidões de nascimento de seus filhos seus pais se chamam Frederico Binder e Emilia Binder.

          Em anotações pessoais de minha tia está assim registrado: Emilie Binder, nascida em 24/08/1826 e falecida em 03/11/1868, com 42 anos casada com Friderich Binder, nascido em 07/agosto.  De acordo com estas anotaações aqui há uma discordância: se minha avó nasceu em 10/04/1874, sua mãe não poderia ter morrido em 03/11/1868 (?).

          Numa das viagens de meu avô à Alemanha ele a conheceu, voltou e como nos foi relatado, ele enviou-lhe dinheiro e ela veio para o Brasil onde se casaram em Campinas, conforme registro nas ceertidões de nascimento de meus tios.  Minha avó tinha mais três irmãs: Helene Hopping (nascida em 01/08/1871) casada com Paul Hopping e que tinha uma filha de nome Hanni Dittmer e casada com Otto Dittmer.

          Hanni teve um filho de nome Hans Jürgen Dittmer e moravam em Ribnitz,, Mecklemburg;  Mary Grot casada com Hugo Grot, que migrou para Coney Island, New York, Estados Unidos e Anna a qual não sabemos dada sobre ela.  Pelas correspondências que Hanni tinha conosco ela dizia que sua mãe está sepultada em Ribnitz.

          Quando nossa tia Clara faleceu encontramos em seus pertences diversas cartas de Hanni e junto delas os envelopes com seu endereço em Ribnitz.  Localizei pela Internet e nele diversos endereços de e.mails.  Fiz um texto em inglês e mandei para todos eles pedindo para que me ajudassem a encontra-los.  Em um destes endereços de e.mail, para felicidade minha, o internauta dizia aue seu pai havia sido amigo de Hans na infância.  Ele me informou que ficaram sabendo que Hans e Hanni haviam se mudado para "West Germany" no ano de 1961.  E que talvez ele fosse um doutor em química, física ou física atômica em Bonn. 

          Em outras respostas me informaram que ele havia nascido em 15/08/1947. Outra resposta dizia que no endereço das cartas de Hanni havia até um telefone registrado na lista telefônica daquela cidade e que ela estava fechada há muito tempo.  Mandaram-me até uma foto dela.

         Quanto a Hans continuei tentando localiza-lo.  De diversas pessoas que tem o mesmo nome na lista telefônica alemã, nove ao todo, enviei correspondências para todas elas com cópias de fotos suas, que nos foram enviadas por Hanni na época em que correspondia com meu pai, meus tios e meus avós.  Não obtive sucesso em nenhuma delas.  

          Consegui localizar mais três endereços e através da Internet tentei contactá-los.  Dois foram negativos.  No terceiro, endereçado Dittmer Karin aad Hans Jürgen, solicitei ajuda através de um órgão local chamado Lüneburg Marketing GmbH.  Foram até lá e a resposta que tiveram foi que Hans havia morrido há uns três anos.  Isto se passou em 2002.  Insisti no contato com eles com  pessoas de lá, mas a resposta dava a entender que eles não queriam contato. 

                                                                                                                Continua...


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AFONSO CELSO I

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RAIZES DA FAMILIA KÖHN  - 
 Por Afonso Celso Gomes Köhn

          Abaixo, descrevo o que já sabíamos e o que consegui nas minhas pesquisas.  Meu bisavô, Carl/Karl Friedrich Köhn veio para o Brasil com sua esposa Henriette Köhn (antes Wolf, conforme certidão de nascimento de meu avô), junto de seus filhos Hermann (14 anos) e Auguste (09 anos), filhos de seu primeiro casamento e August Friedrich Wilhelm Köhn (05 anos, nascido em 23/07/1874) filho dele e dela.  

          Minha bisavó também tinha um filho, fruto do seu primeiro casamento, o qual teria migrado para a América do Norte.  Não sabemos seu nome; só temos uma foto, talvez do lugar para onde migrou: Engel, Texas.  

          Meus bisavós vieram no navio Valparaiso, que saiu de Hamburgo em 20/04/1880 e chegaram ao porto de São Francisco/Santa Catarina em 21/05/1880/.  Ele era lavrador e saiu de Grünow,  na Pomerânia e eram protestantes.  O que sabemos dele é que teria morrido onde havia se radicado e que minha bisavó teria vindo para Araras, Estado de São Paulo, onde ela já teria um irmão que teria vindo há mais tempo.

          Outra anotação diz que minha bisavó teria vindo para o Brasil e ido para o Rio Grande do Sul, onde seu irmão morava.  Conforme diversas pesquisas que fiz seria meio impossivel eles terem aportado em Santa Catarina e terem ido para lá.  As condições da época não permitiam isto.

          De seus filhos sabemos que Auguste casou-se em Ribeirão Preto (SP) com Francisco Morandini onde teve cinco filhos e Hermann (Germano) teria se radicado em Pomerode, casado com Ida e teria tido uma filha.   Quanto aos parentes de Ribeirão Preto consegui localiza-los e fui visitá-los  no período em que residia na cidade de São Paulo.  Sou neto de August Friedrich Wilhelm Köhn.

          Os nomes de meu bisavô (Carl/Karl Friedrich Köhn), minha bisavó (Henriette Köhn) e meu avô foram obtidos através de sua certidão de nascimento que possuímos de August.  August nasceu em Teschendorf, Condado de Dramburg, Pomerânia, na Prússia.  Nas minhas investigações o que descobri: a região de Pomerânia era território polonês, depois foi dominado pelos alemães e depois da Segunda Grande Guerra voltou a ser território polonês.

          Dramburg foi criada em 1297 e em 1701 foi invadida pelos germânicos e retornou ao domínio polaco em 1945.  Hoje ela voltou a ter o nome polonês: DRAWSKO POMORSKIE.  Na certidão de óbido do meu avô (ele morreu aqui no Brasil) diz que ele nasceu em Falkenburg, hoje ELOCIENTEC (território polonês).

          Quanto aos dados de meus tios-avós, idade, navio, procedência e região acima registrada consegui-os pela Internet.  Pela coincidência com os nomes que conhecíamos, acredito setem os mesmos meus antepassados.  O único dado que não coincide seria uma outra irmã de meu avô, chamada Bertha, conforme informações dos parentes de Ribeirão Preto, que não consta no livro de desembarque.  No livro está assim registrado: KÖHN, Carl: 40 anos, lavrador, Grünow, Pomerânia, com sua mulher Henriette (40), filhos Hermann (14), Auguste (9), Wilhelm (5), protestantes.  Não consegui descobrir nenhuma referência ao nome  GRÜNOW.

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ANA PAULA

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MINHA VIDA

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Minha estória

          Em muitos casos, a vida se nos apresenta como um imenso ciclo renovador.  Observando algumas experiências vividas por nossos antepassados, essas mesmas experiências poderão se repetir em nossas vidas após um lapso de tempo, embora com pessoas diferentes e guardando as devidas proporções, mas em manifestações semelhantes. 


          Minha vida pessoal. - Não me sinto muito à vontade para falar de particularidades da minha vida pessoal ou sentimental, mas como este trabalho é um documentário e ao mesmo tempo um livro aberto sobre pessoas, e tendo em vista que muitos fatos da minha vida particular são conhecidos, não posso deixar de falar ou registrar de meu próprio punho, ainda que de forma resumida algumas nuances da minha vida particular.

          Vamos aos fatos. Primeiro, eu tive um romance fracassado com a mãe da Ana Paula, a Irene Nice Gouvea. A Irene era uma boa menina, mas um pouco sonhadora, e muito jovem ainda. Eu também tive minha parcela de culpa por não me acertar com ela, e pelas nossas diferenças, ela resolveu separar-se de mim, me abandonar.  Tivemos alguns atritos, eu queria ficar com a guarda da Ana Paula, mas ela não permitiu.  Em resumo, foi isto que aconteceu, mas eu sempre tive um amor muito grande pela minha filha. Minha querida Paulinha, e que a tia Clara, também me ajudou a cuidar dela quando pequena. 

          Depois, passado um bom tempo, conheci uma garota Peruana, de nome Ana Maria Ponce.  Casamos.  Acho que precipitamos nesse casamento, ou seja, sem nos conhecermos muito bem.  O fato é, que depois de um certo período de tempo (um ano aproximadamente), minha vida se tornou um inferno.  Acho que eu me casei com a encarnação da minha bisavó (conta-se que nossa bisavó Henrieta Wilhelmin, infernizou a vida do marido). E o mesmo aconteceu comigo, obviamente, dentro de um outro contexto histórico-cármico.  Acho que eu também merecia passar por este "Inferno de Dante".

          Mas desta vez, fui eu mesmo que "cavei" uma separação, e que depois culminamos com o divórcio direto.  Eu mesmo provoquei tudo.  Tudo muito bem planejado.  E nessa oportunidade, eu já conhecia a minha atual esposa, que por ironia, também se chama Ana Maria (Ana Maria Coelho). 
Ana Maria Coelho (Aninha), tinha sido uma das minhas primeiras namoradas de outros tempos, mas com ela eu me acertaria.  E assim aconteceu.  E hoje, estamos muito bem casados e felizes vivendo modestamente, sem atritos.  É a minha estória. 
(Observação: na foto ilustrativa acima: eu Ana Paula e Aninha.  A outra menina é prima da Ana Paula.  Trata-se de uma segunda comemoração dos 15 anos da Ana Paula.  A primeira comemoração, foi na casa da mãe dela, Irene)
O CICLO DA VIDA
Tudo passa, sobre a terra...
Nós, nossos feitos, nosso amor.
Lembranças se extinguirão
no tempo, como devaneios.
Mas a vida, o ciclo renovador, 
continuará imutável, é a Lei.
Os astros seguirão, em sua elipse perfeita,
as formigas, em seu rotineiro trabalho,
e o cãozinho fiel, também não perderá 
a sua humildade.
Nem os pássaros, mudarão  o seu canto.
Apenas o homem, 
irremediavelmente inconformado, 
continuará inconformado,
continuará angustiado, 
especulando a natureza, 
desvendando seus mistérios, 
desenvolvendo tecnologias, 
mas desconhecido de si mesmo.

Um dia,
Sim, um dia voltarei...
Das minhas lembranças apagadas, 
de esperanças renovadas, 
da missão mal terminada.
Neste Ciclo perfeito,
quando chegar a minha vez, 
novamente Deus me emprestará 
um pedaço de terra, 
um pouco de vida,
um abrigo, uma jornada.
Tudo se renova,
tudo passa, novamente sobre a Terra...
   (Guilherme Köhn)


       

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MINHA ESTORIA

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Academia Militar das Agulhas Negras

          Resende, é uma cidade conhecida por abrigar a Academia Militar das Agulhas Negras-AMAN, e esta, é famosa no Brasil inteiro.  Também é uma cidade cultural, com muitas escolas, atividades, etc, e o próprio hino de Resende a enaltece em sua letra: "Resendenses entoemos um hino, a esta terra que é um berço divino, de poetas, artista de heróis".


          Agora, vou contar minha estória; por que deixei Passa Quatro-MG e vim para Resende-RJ, e aqui fiquei. Foi assim:  eu havia terminado o meu curso ginasial em Passa Quatro, no Ginásio São Miguel.  Minha vontade, era de continuar meus estudos, mas eu não tinha condições.  Naquela época, as escolas eram particulares, e não era barato.  

          Uma opção, que se falava muito em Passa Quatro, seria ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende.  O estudo nessa famosa Academia, era gratuito.  Pois bem. Escrevi para a AMAN, manifestando meu desejo de ingressar na Academia. E eles (os militares), foram muito atenciosos, e me orientaram o seguinte: eu não poderia de imediato ingressar na Academia em Resende.  Primeiro eu teria que ir para Campinas-SP, e ingressar numa escola preparatória de cadetes, e de lá sim, após concluir essa escola preparatória por 4 anos, eu poderia automaticamente, sem prestar qualquer exame, ingressar na AMAN. 

          Eu estava decidido.  Estava pronto para ir para Campinas.  Minha tia Clara estava de acordo.  Mas, antes de partir para Campinas, eu comuniquei esse fato ao tio Carlos, que morava em Itatiaia, pertinho de Resende.  Acho que ele ficou preocupado comigo, pois eu estava disposto a me aventurar sozinho rumo a Campinas.  E o tio Carlos me disse: - não, não vá para Campinas.  Você não conhece ninguém lá, e se não der certo você vai ficar perdido por lá.  Não.  Definitivamente não.  Venha aqui para Itatiaia, fique na minha casa, e aqui arranjaremos um emprego para você. 

          E eu, obediente, segui a sua recomendação, até porque, eu também tinha vontade de trabalhar, ganhar dinheiro.  Esse também era um sonho. E assim foi feito.  Fui para Itatiaia, e fiquei na casa do tio Carlos.  Ela trabalhava na CITOR (Companhia Interestadual de Terraplanagem Obras e Reparações).  Era uma oficina mecânica, uma Companhia de propriedade do então deputado federal Mario Tamborindeguy.

          Seria fácil eu também trabalhar ali, no escritório dessa Companhia, mas o tio Carlos não queria.  Ele dizia que trabalhava ali, mas detestava aquele ambiente, cheio de gente inescrupulosa, etc, etc, etc. Mas, naquela época, em 1967, não era fácil conseguir emprego.  Ainda mais pela minha idade. Eu estava com 16 para 17 anos, e nessa idade, em todo lugar que eu procurava uma colocação, o discurso era sempre o mesmo.  - Não, você está próximo de prestar serviço militar, e não podemos admitir ninguém nessa idade, nessas condições, pois seremos obrigados a manter o seu emprego mesmo com o seu afastamento. 

          Mas, eu havia me alistado em Passa Quatro, e fui dispensado do serviço militar, por excesso de contingente. Enquanto isso, na minha busca por uma colocação, eu procurei um trabalho na IQR (Industria Química de Resende); na Lederle (indústria de fabricação de produtos químicos);  na Sandoz (industria de remédios); no Banco Real, nos escritórios da Usina de Funil em Itatiaia, enfim nada. 

          Primeiramente, eu procurei nessas Industrias maiores, mas, não conseguindo nada, procurei nos lugares mais simples, como loja, supermercados, oficina mecânica (numa oficina famosa em Resende na época, oficina do Pineschi, eles precisavam sim, mas era de um torneiro mecânico.  Me perguntaram se eu tinha experiência nessa especialidade.  Eu não tinha.  Nada feito). 

          Fiquei um ano sem conseguir uma colocação, e sempre procurando, até que um dia, eu consegui:  uma vaga de cobrador de ônibus, na Viação Tupi, como era conhecida.  Era uma Empresa dos irmãos Martini, e que fazia a ligação de Transporte Coletivo entre Resende x Itatiaia.

          Agarrei com unhas e dentes essa oportunidade, pois eu já estava quase desanimando de tanto procurar e nada conseguir.  O Sr. Hildebrando (dono da Empresa), era o meu patrão direto, e assim trabalhei algum tempo como cobrador, ou trocador, como se dizia.  Depois, o patrão vendo o meu empenho, me promoveu para bilheteiro, na agência da Empresa dentro da Estação Rodoviária.  Ali trabalhando, tive condições de continuar meus estudos.  Depois, nova promoção, consegui finalmente aquilo que eu queria desde o princípio, que era trabalhar num escritório.  Bem, esse foi o meu único emprego até a minha aposentadoria;  a empresa passou por transformações, mudança de donos, administração, mas eu sempre me mantive na minha função, que era o de contador exclusivo dessas administrações.

Depois de aposentado, continuei trabalhando, mas num ritmo bem menos cansativo, e trabalhei para outras empresas por um período de tempo bem menor, e aqui estou agora, escrevendo estas estórias.



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PASSA QUATRO-MG

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Jardim dos Leões, em Passa Quatro

          Passa Quatro-MG, uma pequena mas grande cidade, fundada na época das Bandeiras, ou seja, dos bandeirantes liderados por Fernão Dias Paes Leme, que atravessaram o mesmo rio quatro vezes, daí o nome de Passa Quatro.   O bandeirante Fernão Dias Paes Leme, procurava esmeraldas na Serra da Mantiqueira.  Isto foi por volta de 1680, onde também morreu, acreditando te-las encontrado, as esmeraldas que tanto procurava. 


          E foi nessa cidade, de uma história tão bonita, que eu também passei toda a minha infância e adolescência. Eu nasci em Baependi, mas dessa cidade não me lembro de nada, e por isso, considero Passa Quatro a minha cidade natal. Meu berço cultural. 

          Por que tive que nascer em Baependi?  Essa foi uma pergunta que eu fiz a minha tia Clara por diversas vezes, há muito tempo.  E ela me contou.  Foi assim;

          ... Meu pai trabalhava com seus irmãos, Carlos e Walter na oficina mecânica em Itanhandu.  Mas, o tio Carlos era muito "brigão", vivia brigando com o tio Walter e com meu pai.  O tio Carlos era assim; sempre agia de maneira impulsiva, aliás, como já contei nestas estória: (brigão, briguento, rusguento).

          E foi por isso, devido a um desentendimento, que meu pai, aborrecido, largou tudo e foi para Baependi, onde minha mãe possuia um terreno.  Meu pai tentou assim, mudar de profissão, e se tornar um pequeno sitiante, criando umas poucas vaquinhas (veja a foto). 

           Mas, essa tentativa durou pouco, pois era muito difícil para o meu pai, ele não tinha sequer máquinas, motores ou ferramentas adequadas que facilitassem o seu trabalho.  Tudo era feito manualmente, sem ajuda de ninguém, e além disso, essa não era sua vocação.  Sua especialidade era outra, conforme já mencionei nestas estórias.


          Depois, o próprio tio Carlos foi se reconciliar com meu pai, devido aquela desavença que tiveram, e cujo real motivo eu nunca soube, mas com certeza, não era assim tão grave.  Eu já contei também, que os irmãos sempre brigavam, mas nunca ninguém guardou ódio ou ressentimentos por muito tempo.  Havia entre eles, um amor familiar muito grande, que superava essas desavenças.

          Bem, como eu disse, de Baependi não me lembro de nada, mas de Passa Quatro tenho boas lembranças, como nestas fotos:

          Por que me chamo Guilherme Köhn: Fui registrado e batizado com esse nome. Ideia do meu pai.  Eu vou contar.  ... Quando eu nasci, meu pai (Paulo), escreveu uma cartinha para a tia Clara, comunicando o meu nascimento, e submetendo à apreciação de sua irmã, a sua idéia: "homenagear o nosso pai", dizia ele, "o que você acha?  Não é uma boa ideia?"  Foi mais ou menos assim, os termos da sua carta. DETALHE: eu tive essa carta em mãos, e li essa carta que a tia Clara guardou por muitos anos, e a qual eu deveria ter comigo, mas não a encontro, não sei onde foi parar essa cartinha.

          Se eu a tivesse, eu a publicaria neste trabalho. Seria assim, uma boa lembrança do meu pai, e uma ilustração destas palavras que estou revivendo.  Mas o fato é, que meu pai não quis me dar o seu nome, e sim o nome do pai dele.  Penso que eu deveria ter sido registrado então, como "Guilherme Köhn Neto".  Mas, não foi assim, e fiquei sendo mesmo Guilherme Köhn.

          E, seguindo esse exemplo, eu também quis retribuir, ou seja, homenagear o meu querido pai. E assim, quando minha filha nasceu, já que não era menino, eu lhe dei o nome de Paula.  Mas, só Paula?  Paula Köhn?  Não, faltava alguma coisa; ... pensei na nossa prima Hanni, da Alemanha.  Hanni Paula?  Não, esse nome não tinha uma boa sonoridade, digamos assim. - Bem, Hanni era parecido com Ana.   -  Ana paula - Ah, agora sim, achei que ficou um nome bonito (bonito e bem simples).  E assim ficou decidido: minha filha seria registrada como Ana Paula Köhn.  O nome Paula, seria uma forma de homenagear meu pai.

          Quando eu era bem pequeno, os amigos do meu pai, me chamavam de "Paulinho", mas esse diminutivo ficou para a minha filhinha querida, a minha "Paulinha".  Essa, é a estória de um nome.
Ana Paula Köhn, nasceu em 09/09/1974, na maternidade de Resende, denominada APMIR (Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Resende) filha de Irene Nice Gouvea, e Guilherme Köhn.



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REFLEXÃO HISTÓRICA

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"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nascente!Criança! Não verás nenhum país como este!Olha que céu! Que mar! Que Rios! Que floresta!A Natureza aqui, perpetuamente em festa".(Versos de A Pátria - Olavo Bilac)

          Voltando aos antepassados da família Köhn, às vezes eu fico pensando, e questiono sobre o que levou nosso avô (Wilhelm), a voltar para o Brasil, depois de ter ido para a Alemanha para se especializar como Mecânico Técnico em Locomotivas.  Naquela época, o Brasil estava muito atrasado em relação à Alemanha.

          O Brasil era conhecido como o "Novo Mundo", e a Europa o "Velho Mundo".  Toda a nossa tecnologia, a moda, o vestuário, tudo era importado da Europa.  A Alemanha era o centro cultural da Europa.  Enfim, uma diferença muito grande, comparando Brasil x Alemanha.

          Talvez, do ponto de vista do poeta Olavo Bilac, como nos versos acima, o Brasil apresentasse uma vantagem e um encantamento aos imigrantes estrangeiros.  E, mais uma vantagem não citada  pelo poeta, seria o nosso clima.  O clima do Brasil é um verdadeiro paraíso para os estrangeiros.  Sem falar em nossas praias, que também são muito admiradas.  Na Alemanha, são 6 meses de frio, e o inverno propriamente dito, é muito rigoroso.

          Sob este aspecto, o Brasil apresenta um diferencial muito grande. Mas a Alemanha hoje, em termos de tecnologia, economia, cultura, etc, é um país de primeiro mundo.  Mas este avanço não é, digamos muito antigo.  Deve ter uns 70 anos. Quando terminou a 2ª Guerra Mundial em 1945, a Alemanha estava arrasada.  Dali para frente, é que a Alemanha se recuperou, e se nos apresenta como é hoje. 

          Mas, as nossas estórias, desde nossos avós ou bisavós, é muito mais antiga, ou seja, muito antes da 2ª Guerra Mundial.  Então, como seria a Alemanha nesse tempo mais antigo?  Sabemos que a Europa sempre foi um cenário de muitas guerras; desde a época do Império Romano, que também pretendiam "dominar o mundo": os romanos deixaram seus rastros, suas marcas pela Grécia, França, Alemanha e outros países.  Mas, não vamos retroceder tanto assim. 

          Em 1871, época portanto de nossos bisavós, a Alemanha venceu uma guerra contra a França.  Em Berlim, hoje, há um monumento dedicado a essa vitória, chamado de Siegessäule (coluna da vitória).  Esse monumento, apresenta uma estátua dourada de um anjo (vide ilustração):
Coluna da Vitória, Berlim, Alemanha
          Em Berlim, existe também outras ruínas, lembrança da 2ª Guerra Mundial, que o povo alemão decidiu conservar assim mesmo, como ruínas, para lembrar que a guerra só traz destruição.

          Bem, esta reflexão histórica é só para que possamos fazer um exercício de imaginação, no pretenso intuito de entender o que se passava na cabeça dos nossos antepassados, assim como, talvez de outros imigrantes estrangeiros.  

          Seja como for, mas a saudade da terra natal certamente estaria presente no coração de cada um desses imigrantes:
ICH HAB' NOCH EINEN KOFFER IN BERLIN

Ich hab noch einen Koffer in Berlin
Eu ainda tenho uma mala em Berlim
Daswegen muß ich nächstens wieder hin
Por isso eu tenho que voltar para lá da próxima vez
Die Seligkeiten vergangener Zeiten
As bem-aventuranças dos tempos passados
Sie sind alle immer noch in diesem kleinen Koffer
Elas estão todas nesta pequena mala
Drin
Lá dentro
          Os versos acima, são de uma música antiga de Marlene Dietrich, atriz e cantora alemã, mas que vivia nos Estados Unidos (em Holliwood).  Ela usou nesta música, uma linguagem figurativa, metafórica, para dizer que suas raízes e suas lembranças, estavam lá, na sua terra natal:  em Berlin.

          Assim sendo, e tomando como exemplo as palavras dessa atriz em sua canção, nós também da Família Köhn, temos a nossa mala na Alemanha.  Os vestígios dos nossos antepassados ainda estão por lá, através de familiares que talvez nem saibamos ao certo.  Vamos ilustrar este pensamentos com mais algumas fotos:
Família reunida em seu lar, antes da 2ª /Guerra
(Nesta foto, ao fundo, de branco, Helene Hopping, irmã de Martha Binder Köhn.  Helene Höpping e sua filha Hanni. - De roupa escura e com a mão no rosto, Mariechen, primeira filha de Helene e Paul Höpping;  Sentada à frente, de vestido branco, Hanni, segunda filha de Helene)

Cidadãos da Alemanha antiga

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