WALTER KÖHN

0


Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Walter Köhn

          Walter Köhn, era um mecânico de verdade.  Mecânico geral, torneiro mecânico e desenhista técnico.  Desde quando estava na escola, era um craque em matemática.  Tia Clara é que sabia contar.  Ele não precisava de calculadora para fazer contas: multiplicação, divisão, soma ou subtração.  Sua cabeça era uma calculadora invisível.  Tio Walter sabia desenhar projetos mecânicos como ninguém.  Com uma régua metálica e um compasso também de metal, ele projetava desenhos sobre a própria chapa de metal.  Depois, com o maçarico, recortava a chapa de ferro de acordo com o desenho.


          Vou contar uma passagem que aconteceu comigo.  Eu era moleque. Lá em Passa Quatro-MG. Eu gostava de brincar, e fazia meus próprios brinquedos.  Certa vez, eu estava fazendo uma hélice de lata que saia voando depois de acionada com um carretel de linha (vazio) e um barbante.  Eu fazia a tal hélice de papel, recortava, e depois molhava a hélice de papel e a colocava sobre uma lata. O papel molhado, grudava na lata.  E, com uma tesoura de cortar lata, eu recortava a hélice.

          Meu tio Walter estava só me observando, na maneira como eu fazia essa hélice, mal desenhada primeiramente no papel. Terminado meu projeto de brinquedo, ele me chamou e disse: - vem cá, vou te ensinar como se faz isso.

          E, numa pequena oficina que havia lá em casa, do meu tio Guilherme, ele pegou um pedaço de lata, uma régua de metal e um compasso de ferro.  Sobre a lata, riscou uma linha reta, com a ponta do compasso de ferro.  Em cada ponta da linha reta, e com o compasso, desenhou um círculo.  Depois, marcou o centro da linha reta, e novamente com o compasso, desenhou um círculo menor.  

          Sobre a linha reta, então, estavam três círculos: um círculo menor no meio e dois circulos maiores em cada ponta.  Com a régua metálica, traçou quatro linhas tangentes às três circunferências.  Pronto: a hélice estava assim simetricamente desenhada. Agora era só recortar.  Abaixo, segue o desenho que assim aprendi a fazer, e que nunca mais esqueci:
          É fácil quando se sabe.  Obrigado, tio Walter.
          Tio Walter era também o escrivão da família.  Era ele quem escrevia ou respondia as cartas para os parentes (primos) na Alemanha.  Cartas em alemão, claro, e fez isso durante certo tempo, mas depois a comunicação foi interrompida, não se sabe o motivo.  Talvez por proibição da Rússia, que controlava tudo no então regime comunista. 

          Walter Köhn casou-se em Itanhandu, no ano de 1954 com Olimpia Gomes Köhn, e tiveram cinco filhos: José Walter Gomes Köhn (06/09/1954); Rosângela Gomes Köhn (01/07/1956); Afonso Celso Gomes Köhn (29/08/1958); Fernando Antonio Köhn (23/02/1964) e Jaqueline Köhn (05/07/1970).

(Na foto acima, Walter Köhn no centro da foto, com a mão no queixo.  Entre amigos de Itanhandu)

Lembrança de um amor familiar:
          Entre nosso avô (Wilhelm), nossa avó (Martha) e seus filhos, apesar de algumas contradições que possam ter ocorrido ao longo de sua existência, uma característica sempre foi muito marcante: o amor pela família.  Por exemplo: o tio Carlos e tio Walter; brigavam, houve separação, mas não alimentaram ódio ou ressentimentos.  Tio Walter esquecia sua desavença e procurava reconciliação com o tio Carlos. Este também esquecia tudo e se reconciliava com seu irmão.

          Já contei nestas estórias, que nosso avô adorava seus filhos.  E assim, tal como nosso avô, tio Walter também gostava de seus filhos, e tinha um carinho muito especial para com todos eles. Apenas para ilustrar, vou contar uma pequena lembrança: a Rosângela, quando era criança, era lourinha.  Tio Walter dizia que ela parecia um copinho de cerveja, e a chamava carinhosamente de "Biinha".  Esse apelido carinhoso, seria assim um diminutivo de Bier (cerveja em alemão).  

          Depois, a Rosângela foi crescendo, seu cabelo foi mudando de cor, e o seu apelido já não lhe caia bem, mas mesmo assim, esse apelido ficou para Jaqueline, que também era lourinha.  Tio Walter  de vez em quando também chamava sua filha Jaqueline de "Bi-inha".  Esse apelido carinhoso caiu bem para a Jaqueline, porque ela também era lourinha, tinha um cabelo comprido, e muito bonitinha. Até hoje eu a chamo pelo seu apelido, para que esta boa lembrança não se apague.  

          Os filhos da Jaqueline, bem como da Rosângela e demais primos, precisam saber destas estórias, e precisam manter viva a lembrança do vovô Walter.  Se ele fosse vivo, tenho certeza que adoraria seus netos.  Rezem por ele na paz, para que suas lembranças não se apaguem jamais.

          

0 comentários: