CLARA KÖHN II
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Tia Clara x José Modesto (esta é uma outra estória)
As tias Marta e Clara, morreram solteironas. Porque?
Bem, a Marta era solteirona de fato, assim meio "bicho do mato", nunca se interessou realmente. Mas, e a tia Clara? Por que não se casou? Nunca teve pretendentes?
... Pretendentes não faltaram, como ela mesma contava, mas nunca aceitou nenhum deles. Nunca teve um namoro sério quando era mais jovem. Alguma coisa a impedia, uma espécie de bloqueio, talvez. Não sei. E os tempos e a educação eram diferentes naquela época. - Depois, ela justificava também, que o casamento para ela estava fora de cogitação, por uma razão familiar, ou seja, o destino lhe reservou alguns encargos de família: a mãe dela (vovó Martha), a irmã (tia Marta), o irmão (tio Guilherme Jr), e eu, seu sobrinho, que ela cuidou muito bem.
A tia Clara sozinha, sustentava essas quatro pessoas. Não era nada fácil. Ela dizia: "como posso pensar em casamento, tendo essa responsabilidade toda em minhas costas?"... E eu, sou testemunha disso.
Tia Clara trabalhava muito na sua máquina de costura (2 máquinas), dia e noite. Alguém poderia perguntar: - mas e o irmão dela (o Guilherme Jr) não ajudava? Bem, o tio Guilherme (nosso tio), possuía uma pequena oficina de pequenos consertos, e houve um tempo até, que ele ajudava um pouco. Mas depois, a sua ajuda se tornou um fracasso, viciado que estava na bebida. Tio Guilherme quando jovem, teve algumas namoradas, mas também nunca assumiu um casamento. Nunca teve condições, e morreu solteiro.
E o José Modesto? Onde é que ele entra nessa estória? Vou contar. É uma estória em que não posso afirmar a veracidade intencional da mesma, por razões que serão compreensíveis neste relato. Eu vou explicar.
... Tia Clara, como já contei, era costureira (Modista). Ela tinha muitas freguesas. Ela tinha duas freguesas que vinham de São Paulo para encomendar blusas, vestidos... e tinha também uma freguesa de nome "Dita" (devia ser Benedita), que morava em Pouso Alto-MG. Era uma ótima freguesa, e sempre encomendava roupas com a tia Clara. Essa freguesa era um pouco gordinha, e só a tia Clara acertava com suas medidas.
Quando uma roupa da freguesa "Dita" ficava pronta, a tia Clara pedia a um maquinista do trem, o José Modesto, que por favor, entregasse a roupa da Dª Benedita lá em Pouso Alto, pois ela morava bem em frente à estação.
O José Modesto, era amigão da tia Clara. Ele sempre vinha lá em casa, em Passa Quatro, perguntar se não tinha encomenda para levar. Mesmo que não tivesse, ele entrava, tomava café, e ficava batendo papo com a tia Clara (longos papos). Eu era ainda criança, e sempre que ele vinha lá em casa, a tia Clara pedia (ou mandava) que eu ficasse perto dela, na sala. (Tia Clara, José Modesto e eu, "segurando vela").
Eu achava aquilo uma chatice, mas ordem era ordem. Eu obedecia. Eu não entendia nada, se era namoro ou amizade. Tia Clara nunca admitiu que fosse um namorado, mas ela guardava sua foto (que agora publico neste trabalho), guardava com muito cuidado e ciúme.
... Hoje, lembrando desses casos passados, e naturalmente com uma perspicácia mais aguçada, eu acredito que esse José Modesto (o maquinista do trem), paquerava a tia Clara. Mas como eu disse, não posso afirmar a veracidade dessa intenção.
Hoje, se possível fosse, eu queria voltar no tempo só para tirar essa dúvida. Mas, como diz um ditado, "Palavras o Vento leva", e antes que estas palavras sejam levadas pelo tento, eu as deixo aqui registradas. Tia Cla, que Deus a tenha, me perdoe esta indiscrição.
(Vejam a foto: José Modesto com a sua locomotiva, e ao fundo nossa casa em Passa Quatro)
