GUILHERME KÖHN
0

Cada filho tem sua estória (bem resumida):
Guilherme Köhn Junior
Esse filho de Wilhelm Köhn e Martha Binder, aprendeu a trabalhar como mecânico porque foi obrigado, mas ele detestava essa profissão. Naquela época, os filhos obedeciam a vontade do pai. Era assim na família Köhn.
Conta-se que quando eram ainda bem jovens, pai e filhos, trabalhavam juntos, na oficina mecânica de Cruzeiro-SP. E, quando se aproximava o final do expediente, o Guilherme Jr. se antecipava guardando as ferramentas, ia limpando a bancada, lavando as mãos, e já ia se aproximando do portão de saída.
Quando soava o apito da oficina como sinal do encerramento do expediente, o Guilherme Junior era o primeiro a sair, e ia quase que correndo para casa. Aliviado! Era assim todos os dias.
A vocação desse filho, estava para as artes. Era um verdadeiro artista. Masa na época, seu pai não entendia dessas coisas e acho que também não haviam muitas oportunidades para tal. Mais tarde porém, acho que depois da morte do seu pai, ele se realizaria de alguma forma, mesmo como simples amadorismo. Mas antes disso, quando seu pai (Wilhelm) lhe presenteou com um violino, ele rapidamente aprendeu a tocar esse instrumento.
Aprendeu sozinho a notação musical, e compilava de próprio punho suas partituras para violino. Ele gostava de teatro, e chegou a reunir um grupo de amigos, e criou um grupo de teatro amador. Encenaram várias peças, inclusive uma que se chamava "A filha do marinheiro". Um dos componentes desse grupo de teatro amador, era um homem chamado Waldemar Machado, de Passa Quatro. Lá, em Passa Quatro, muita gente deve ter conhecido essa figura. O Guilherme Köhn Jr., tinha muitos livros de peças de teatro.
Nosso tio Guilherme, tinha vocação para pintura. O cenário do seu teatro era pintado por ele mesmo. Ele desmanchava sacos de cimento, emendava as folhas uma às outras, e pintava o cenário de acordo com a peça teatral a ser apresentada. E ficava muito bonito, diziam as pessoas.
Em Passa Quatro porém, ele ganhava seu dinheiro com uma oficina de pequenos consertos. Ele consertava máquinas de costura, espingardas, garruchas, fazia cópia de chaves, sabia abrir cofres quando alguém perdia o segredo, fabricava formas de doces, forjava utensílios de metal como panelas, canecas e vasilhames com alça de ferro, enfim muitas coisas desse tipo. Ele denominava sua oficina de Micro Mechânica Oficina.
Mas o vicio do tio Guilherme era a bebida. Mas eu gostava mais do meu tio quando ele havia tomado umas e outras, porque então ele ficava muito generoso para comigo . Sempre me presenteava com revistinhas infantis, e também revistas em quadrinhos de Charlie Chan, Flash Gordon, e outas. Na minha infância e adolescência, eu passei muitos momentos com meu tio.
Ele morreu solteiro, e não deixou sequer complicações para a família resolver. Pobre tio Guilherme, tenho saudades dele até hoje.

(Nesta foto, vemos o Guilherme Köhn Junior ao fundo, com seu violino em um conjunto formado por amigos da época, em Cruzeiro-SP)
