MARTA KÖHN

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Cada filho tem sua estória (bem resumida)
          Marta Köhn, filha de Martha Binder Köhn e Wilhelm Köhn (ou Guilherme Köhn), nasceu em Campinas-SP  em  08/08/1903 e faleceu em Passa Quatro-MG. em 05/02/1994.


          Essa tia Marta, nunca foi bem certa da cabeça.  Como diríamos, "lhe faltava uns parafusos". Às vezes, fico pensando por que tia Marta teria nascido;  pois ela nunca viveu a vida plenamente, nunca realizou nada: nunca teve namorado, nunca se interessou por nada, e nunca teve sonhos de conseguir alguma coisa.  Acho que ela veio para esta vida, apenas para resgatar algum carma de vidas passadas e depois regressar para onde só Deus sabe.

          Mas vamos lá.  Um pouco da sua estória.  Quando ela era mais jovem, até que passeava um pouco, junto com sua mãe (vovó Martha) ou com sua irmã (tia Clara).  Mas depois, ou seja, depois de algum tempo, viveu a sua vida inteira e até morrer, ao lado da sua irmã (tia Clara).

          Mas ela sabia ler, escrever, falava português e alemão.  Sinal de que não era retardada. Não. Era até inteligente.  Sabia por exemplo, corte e costura, aprendeu sozinha.  Mas nem por isso, se interessou em transformar isso em uma atividade econômica que lhe permitisse ganhar algum dinheiro.  Sua irmã (Clara) sim, sempre passou a vida inteira costurando  (era costureira famosa na cidade), e ganhando seu dinheiro.

          Mas a tia Marta sequer servia para ajudar a sua irmã, nessa profissão, nas mínimas tarefas que fossem.  Tia Clara bem que tentava, mas a tia Marta parece que sofria um bloqueio, e demorava, e demorava, e demorava, até para fazer uma bainha numa saia ou vestido de alguma freguesa.  Ela fazia e desmanchava, fazia e desmanchava, fazia e desmanchava até que a tia Clara perdia a paciência e fazia ela mesma o serviço.

          Como a tia Marta não tinha e não ganhava dinheiro, suas roupas eram feitas com retalhos de pano (sobras), que sua irmã (Clara) lhe dava.  Interessante: para si mesma, tia Marta sabia cortar e costurar.  Fazia por exemplo, um vestido com dois ou três panos (tecidos) diferentes: O corpo do vestido com um tecido de uma côr, e a saia de outro.  Uma comédia.

          Tia Marta porém sabia cozinhar.  Essa, foi a única coisa que ela fez durante a sua vida inteira. Mas a sua irmã constantemente reclamava do modo como a tia Marta preparava a comida .  Tia Clara xingava: "esse arroz angu!", ou seja, o arroz não ficava soltinho, e sempre era do tipo "papa".  Mas não adiantava reclamar.  Tia Marta só cozinhava assim: papa de arroz.  O café era sempre ralo (fraco) "água de batata". Havia também outras manias culinárias da tia Marta que nem me lembro mais.

          Morávamos em Passa Quatro.  Tia Marta nunca saia de casa.  Mas um certo dia, não sei o que deu nela, saiu sozinha a andar pela rua.  Sem falar para ninguém.  Mas depois não sabia voltar. E então, alguém viu aquela mulher assustada, perdida pela rua, e a conduziu de volta para casa.  Coisa de louco.

          Mas, por ela ser assim, meio birutinha, meus tios tinham pena dela.  Tio Carlos, às vezes lhe dava algum dinheiro (pouco), e tio Walter às vezes lhe levava doces, xarope de groselha que ela gostava, enfim ela parecia uma criança por gostar dessas coisas.

          E assim foi a vida da tia Marta. Uma vida vegetativa.  Depois eu a levei para Resende, e aí viveu junto com a tia Clara até morrer.  Morreu com 90 anos. Que Deus a tenha em bom lugar.

                                                        (Na foto: tia Marta e tia Clara)


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