VOVÓ MARTHA I
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MARTHA BINDER KÖHN
(Unsere Großmutter = Nossa Avó)
Nossa avó, esposa de Guilherme (Wilhelm Köhn), nasceu na cidade de Stettin, Alemanha, em 10/04/1874. E, conforme já mencionado anteriormente, ela veio sozinha para o Brasil, para se encontrar com o seu futuro marido, que certamente lhe prometera essa união. E cumpriu a promissa. Martha Binder deixou tudo para trás: seu país (sua Deutschland), sua família, sua vida, tudo.
Marta Binder, tinha três irmãs: Mari Grot, Helene Höping, e Ana. A seguir, uma ilustração das suas irmãs, com algumas legendas:
Prosseguindo com "Uma estória, depois outras", vou falar um pouquinho sobre a nossa vovó. Eu, (Guilherme Köhn, Neto), convivi muito tempo com minha vovó. Praticamente toda minha infância e adolescência, em Passa Quatro-MG. Ela nunca aprendeu a falar a nossa língua portuguesa. Apenas umas e outras palavras. Ela se comunicava somente em alemão com seus filhos (meus tios e minhas tias). E dessa convivência com minha vó e familiares, aconteceu algo curioso ou interessante. Eu aprendi a entender a língua alemã, mas eu mesmo nunca falei ou pratiquei o alemão nesse tempo e nessa oportunidade. Às vezes, em que minha tia falava comigo em alemão, eu respondia em português.
Mas, voltando à nossa vovó Martha, ela professava a religião protestante luterana, e conhecia muito da Bíblia. Sabia de cór o nome de todos os profetas bíblicos. De vez em quando, ela se recordava de certas passagens bíblicas, para ensinar a seus filhos alguma lição de vida.
Ela também recordava sempre, da sua cidade natal, Stettin. Dizia que era uma cidade linda, e que tinha muita vontade de um dia rever sua cidade alemã (infelizmente porém, isso nunca aconteceu). De vez em quando, ela também contava estórias, ou seja, recordações de pessoas e de acontecimentos na Alemanha (in Deutschland), que deixara para trás.
Mas, nessa época em Passa Quatro, eu mesmo não dava atenção a essas estórias. Não me interessava. Eu era muito jovem, e meus interesses estavam sempre longe dessas coisas de "antigamente". Eu era rebelde nesse ponto . Mesmo assim, aprendi um pouco pela convivência . Aprendi, por exemplo, uma oração para crianças, e aprendi a cantarolar uma canção de natal. E por eu ser assim, desinteressado, muitas boas estórias se perderam para sempre. Hoje me sinto arrependido.
Vovó era uma mulher de uma saúde invejável. Dificilmente tomava remédios. E aos 84 anos, submeteu-se a uma operação de vesícula, em Passa Quatro. O médico que a operou, naquela época, se chamava Dr. Gilberto, e ele mesmo ficou admirado com o sucesso da operação, preocupado que estava com a idade da vovó.
Já o marido de Martha Binder era cardíaco e morreu cedo, aos 56 anos, e foi enterrado em Itanhandu, onde ultimamente estava trabalhando. Posteriormente, seus restos mortais (seus ossos) foram desenterrados e transladados para Passa Quatro, num jazigo perpétuo que serviria para toda a família.
Eu me lembro que a vovó Martha se vestiu de luto por muitos anos, além do tempo que era costume, e todos os anos, no dia de finados, ela ia ao cemitério de Passa Quatro depositar flores no túmulo onde estava enterrado seu marido. Eu sempre ia junto, e ajudava a levar flores.
Também me lembro quando a vovó morreu, com 96 anos. Ela morreu nos braços do seu filho que a adorava (o nosso tio Carlos). Até hoje me entristeço quando me lembro, mas, afinal, tudo passa sobre a terra.
(Obs. Continua, no próximo bloco de estórias, ou seja no próximo "Menu" Vovó Martha II)



