MINHAS SAUDAÇÕES

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GUILHERME KÖHN

          Às vezes eu fico pensando, fazendo assim um "exame de consciência", e percebo que tenho alguns defeitos ou falhas de comportamento, que eu gostaria de corrigir.  Tais imperfeições, não são muito graves, mas penso que corrigi-las me tornaria pelo menos mais simpático.  Percebo também que não sou o único.  Outras pessoas também pecam da mesma forma, ou até muito pior. 


          Estou falando daquela atitude de saudar pessoas.  É bonito saudar as pessoas.  Saudar é dar importância ao outro indivíduo, é dar atenção.  É chato andar pela rua e não ser olhado e nem sequer merecer uma saudação.  Será que somos todos estranhos?  Não conhecemos ninguém?  Dá a impressão de que somos feitos de pedra, salvo raras exceções. 

          Ouvir um espontâneo "Bom Dia",  "Boa Tarde",  "Boa Noite",  ou "oi",  "olá",  faz bem ao ouvido e ao coração.  Afinal, não somos máquina, robô...  Mas, nesta sociedade moderna, as pessoas não se saúdam muito.  Mesmo que sejam só um pouquinho conhecidas.  Quanto maior a cidade, menos saudações;  podem observar.  Isso é triste, dá a impressão que as pessoas são coisas, não têm vida e nem educação.  E olha que existem várias maneiras de sermos educados, isto é, sermos gentis e prestativos, conforme a ocasião se apresente. 

          Eu penso que todos nós temos sentimentos amorosos ou seja lá o que for, todos temos problemas e corremos contra o tempo, mas isso não é motivo para alguém viver fechado em si mesmo.  Não sei porque as pessoas se comportam assim, mas é dessa forma que eu vejo, e eu também me vejo praticando essa indelicadeza, essa falta de humanidade.  Eu quero me corrigir, peço a Deus que me ilumine, pois eu gosto de uma simples saudação, mas reconheço que eu também não saúdo ninguém com a devida vênia!

          Quando nossos olhos se encontram e a nossa voz se faz ouvir, isso é maravilhoso, é sentir que estamos vivos, que existimos.  Acho que todos gostam de ser saudados, notados, todos gostam de atenção.  Mais do que isso, trata-se de uma necessidade sutil para o nosso ego.  Por que então não praticar este gesto tão simples?  Não quero afirmar, mas eu penso que a garotada, ou a geração moderna não tem muita sensibilidade para saudar pessoas que não sejam da sua "tribo", digamos assim.  Estes estão mais ligados egocentricamente em suas próprias turmas (ou amizades). 

          Também não quero generalizar esse comportamento, mas é assim que eu vejo em grande parte das pessoas, inclusive reconhecendo aquilo que eu chamo de "mea culpa", ou seja, atribuindo a mim mesmo essa crítica cuja fraqueza aponto para os outros.  Que feio!  Muitas vezes, "uma simples saudação alegre e espontânea conquista um coração" (alguém me disse isso). 

          Para finalizar este pensamento, lembro que na Bíblia, em Mateus, 5:47, Jesus disse: "saudai também os vossos inimigos, até aqueles que vos perseguem, pois se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?  Não fazem os publicamos também assim?"  (Publicanos eram pessoas de péssima reputação).  Pensemos nisso, e vamos saudar alegremente as pessoas, até mesmo aquelas pouco conhecidas.  Aceitem pois, desde já, minhas sinceras e atenciosas,  SAUDAÇÕES!
(G. Köhn)

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LÁGRIMAS

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PAULO kÖHN
Paulo Köhn

          Quem nunca verteu lágrimas nesta vida?  Lágrimas de choro pela morte de um ente querido?  Ou por outros motivos?  Eu entendo que verter lágrimas, é um meio de desabafar um sentimento qualquer, seja de alegria, de tristeza ou até de raiva.  Criança, de um modo geral, apronta um berreiro e derrama lágrimas por várias razões.  Razões... que até mesmo a nossa "vã filosofia" não explica (ou não entende). 


          Eu me lembro, quando eu era pequeno, com 5 anos de idade, eu chorei muito quando meu pai morreu.  Aquela cena triste, ficou gravada na minha mente, eu me lembro disso até hoje.  É uma lembrança um tanto vaga, de um caixão sobre a mesa, na sala de uma casinha onde morávamos.  Havia uma pequena multidão de pessoas em volta da mesa.  Os homens, certamente amigos do meu pai, todos tiravam o chapéu (costume da época).  Mas, devido a minha baixa estatura de criança, eu não podia ver o meu pai dentro daquele caixão mortuário.  Acho que eu nem sabia que meu pai estava morto. 

           Mas eu chorava porque minha mãe e minha irmã mais velha estavam chorando, vertendo lágrimas de dor pela morte do meu pai.  Eu não me lembro em que eu pensava;  eu só me lembro que chorava.  Quando a gente é criança, o nosso mundo é diferente, ainda não entendemos direito o que está acontecendo.  Ou pode ser até, que Deus dá mesmo uma força muito grande para as crianças em geral, para que elas possam superar qualquer acontecimento triste, e sigam cercadas de amor. 

          Porém hoje, em nosso mundo moderno e racional, ainda somos capazes de chorar ou apenas verter lágrimas silenciosamente.  Choramos por coisas boas.  Não é muito comum chorar por coisas ruins.  No meu caso, por exemplo, sofrimentos, raivas, decepções ou problemas, já não me fazem chorar.  Até que eu gostaria, mas não sou capaz, já não sou mais criança. 

          Penso que qualquer pessoa sensível, chora com facilidade por emoções decorrentes de coisas boas.  As coisas boas da vida são muito gostosas, seja um simples elogio mas muito emocionante, uma surpresa agradável, um grande amor, ou coisas do gênero.  Tudo isso é muito saudável, e triste é não ter lágrimas para chorar de alegria. 

          Também existem pessoas que não choram de jeito nenhum.  Ou são muito fortes, ou não têm sensibilidade, ou possuem um coração de pedra.  Penso também que não é verdade que o homem (sexo masculino), não deva chorar.  Esse pensamento é coisa do passado.  O machismo já não é dominante numa sociedade moderna em que vivemos.  Se a mulher chora com mais facilidade do que o homem, é simplesmente porque ela tem mais sensibilidade. 

          Chorar alivia sofrimentos e tira o peso do peito (da mente).  Pode até nos aproximar de Deus, conforme o caso.  Me lembro de uma frase de Charles Chaplin, que diz o seguinte: "Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror".  Outro pensador, chamado Paulo Coelho, também escreveu de forma poética, o seguinte:  "Que as minhas lágrimas corram para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele".  Observem a variedade de situações. 

          Até mesmo Jesus chorou, como está escrito na Bíblia em João 11:35; "Quando Jesus viu os familiares de Lázaro chorando a sua morte, comoveu-se profundamente e chorou".  Jesus estava derramando lágrimas que expressavam legitimamente seu amor. Ele não chorou apenas por Lázaro que havia morrido, mas também pela dor de suas amigas Marta e Maria (irmãs de Lázaro), e por aqueles que verdadeiramente sentiam a perda de Lázaro.  

          Chorar é lindo, pois cada lágrima na face são palavras ditas de um sentimento calado.  Sentimento vertido em LÁGRIMAS. 
PAULO KÖHN


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