VOVÓ MARTHA II
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MARTHA BINDER KÖHN
(Unsere Großnutter = Nossa Avó)
Continuação...
Vou contar, de uma lembrança que eu tenho da Martha Binder Köhn, nossa vovó Martha.
Nós morávamos em Passa Quatro-MG. A vovó, já idosa, sentada em um banco de madeira, de cor escura, que ficava na cozinha sub uma janela; um banco comprido que suportava confortavelmente 4 pessoas. (Meus primos devem se lembrar desse banco, pois era uma espécie de ponto para reuniões familiares).
Muitas vezes, eu vi minha vovó sentada nesse banco, e penteando seus longos cabelos brancos (me parecia que eram tão longos que esbarravam no chão). - Mas, depois ela dava um jeito naqueles cabelos soltos, trançava ou juntava tudo, enrolava, e com as mãos voltadas para traz da sua cabeça, fazia um coque nos cabelos. Eu não entendia como ela conseguia fazer isso.
Mas, o que eu quero contas mesmo é o seguinte: ... Por diversas vezes, eu via ou ouvia um choro vindo da cozinha... Eu, criança e curioso, via a vovó sentada naquele banco penteando seus cabelos soltos que escondiam o seu rosto, e chorando audivelmente. Eu corria e contava para a tia Clara: - Vovó está chorando... Mas a tia Clara me dizia: vá brincar lá fora, deixe a vovó chorar, não a perturbe (mais ou menos estas palavras).
Mas eu compreendia que a tia Clara na verdade, respeitava esse choro solitário da sua mãe (vovó), cujo motivo somente a vovó poderia dizer (solidão e saudade, talvez). Pobre vovó, que Deus a tenha.
Me lembro também quando ela morreu, lá em Passa Quatro; estavam presentes no cemitério: eu, o tio Walter, o Hugo (empregado do tio Walter) e meu primo Celso, além de muitas outras pessoas. O caixão foi aberto pela última vez, e o Hugo disse para o Celso: - "Olhe bem para a sua vó, guarde bem a lembrança da mãe do seu pai, a sua avó" (foram mais ou menos estas palavras). E o Celso ficou olhando, como que obedecendo e compreendendo aquelas palavras.
"Tudo está ainda diante dos meus olhos", esta lembrança, como se fosse um filme de cinema, e no meu interior, eu também estou chorando silenciosamente, como esse choro solitário da vovó.
OBSERVAÇÕES:
Martha Binder, nasceu na cidade de Stettin, Alemanha, em 10/04/1874, e faleceu em Passa Quatro-MG, em 08/01/1970, aos 96 anos de idade.
Sua mãe, ou seja, nossa bisavó materna, se chamava Emilie Binder, casada com Friederich Binder (nosso bisavô materno). - Não temos maiores informações sobre Emílie Binder e seu marido, mas lá na Alemanha, nos registros dos cartórios ou das igrejas, com certeza existe algum registro com mais informações nesse sentido.
Acima, uma foto de Stettin, Alemanha (na foto, uma recordação da Igreja Protestante da vovó, em sua cidade natal). Depois, ao lado esquerdo, Hanni Höping (filha de Helene), seu marido, e seu filho Hans. Hanni Hoping, agora casada, passou a chamar-se Hanni Dietrich.
Hanni era sobrinha de Martha Binder (vovó), e prima de nossos tios, (e nossa prima também). Ela sempre mantinha contato através de correspondências, principalmente com o tio Walter, mas um dia, esse contato se perdeu, talvez por proibição do regime de governo russo, vigente na época pós guerra.
O primo Celso tem guardado suas cartas.
A seguir, abaixo, uma ilustração da família de Martha Binder Köhn e Wilhelm Köhn.




