O GRANDE JEQUITIBÁ MAL ASSOMBRADO III

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Afonso Celso Köhn

          A região vivia um clima de terror, e por esta razão, José Gomes Ribeiro, meu avô, conhecido como Zequinha Teodoro, havia levado sua esposa Maria Francisca Ribeiro, grávida, e mais todos os seus 7 filhos para se esconderem na casa de sua tia "Marica", irmã de José Ribeiro de Carvalho (Zeca Teodoro), no Bairro Bom Sucesso.


          Conforme registro nº 239 no livro de óbitos nº 04, páginas 70 e 70 vs, Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, de Itanhandu/MG, consta o seguinte assentamento: "Aos vinte e dois dias de dezembro de mil novecentos e trinta, nesta Villa de Itanhandu, Termo e Comarca de Pouso Alto, Minas Gerais, em meu cartório compareceu o Sr. Custódio da Silva Pinto, Delegado de Polícia desta Villa e declarou que ontem às vinte e duas horas, na sede desta Villa em domicílio, faleceu o indivíduo que diz chamar-se Antonio Francisco, de cor parda de vinte anos presumíveis, solteiro, brasileiro, de estatura regular, com uma fístula no rosto do lado esquerdo, de filiação ignorada, residente nesta Villa de pouco tempo, declarou que fazia estas declarações por não ter o falecido parentes nesta Villa. 

          Apresentou atestado firmado pelo Dr. Heitor Palombini, atestando que o mesmo faleceu em consequência de uma hemorragia interna em vista dos ferimentos produzidos por projetil de arma de fogo.  Seu assassinado foi praticado pelo soldado Horácio Cypriano Guedes e seu corpo sepultado no cemitério desta Villa hoje as duas horas, sendo os despojos feitos por caridade. Para constar lavrei este termo de registro que vai assinado pelo declarante e por mim Alvaro Cunha, oficial do registro civil que escrevi.  Alvaro Cunha".

          Embora o óbito não conste a localidade, minha mãe, Olimpia Gomes Köhn, contou-me que, ela tinha 7 anos, pois nascera em outubro de 1923, Zequinha Teodoro, seu pai, havia vindo à cidade de Itanhandu fazer compras.  Em face do ocorrido, chegou a notícia no Bom Sucesso que o morto, "um paisano", no local conhecido como Alto da Mata  naquela época, seria vovô.  Em virtude destes fatos, vovó ficou abalada com a notícia, veio a falecer no dia 23 de agosto de 1931, depois de ter dado à luz sua filha Maria Aparecida em maio, embora esta também viesse a falecer em julho. 

          Então, eu que passei grande parte da minha infância e adolescência indo e vindo ao Bom Sucesso, cresci com esta história do Grande Jequitibá Mal Assombrado.  Quantas não foram as vezes que vinhamos de noite de lá e morríamos de medo ao passar debaixo da grande árvore que mais parecia um grande braço querendo nos arrebanhar. 

          Quanto à denominação de "Árvore dos Enforcados", devido aos crimes lá ocorridos, acredito que isto não tenha acontecido, "pois uma das principais disposições das Convenções de Genebra é proibir a tortura de prisioneiros, e estipula que um prisioneiro deve somente ser interrogado sobre seu NOME, data de nascimento, POSTO e NÚMERO de serviço (se aplicável), aplicando-se até no espião ou "guerrilheiro", isso desde Sun Tzu, como já se disse, que foi imperador e Chefe Militar Chinês, que organizou o primeiro TRATADO MILITAR".

Narrativa de: AFONSO KÖHN.
Narrativa
FONTES:
          Genealogia da família Leite, de Reynaldo Maia Souto, Publicado no Folhetim do "O Campobelense", em 13/03/1938.
          São José do Barreiro - Estado de São Paulo, apontamentos históricos, literários e genealógicos, de Reynaldo Maia Souto, extraido do livro "Os Galvão de França no Povoamento de Santo Antonio de Guaratinguetá", de Carlos Eugênio Marcondes de Moura. 

Sebastião José de Carvalho e Mello - Wikipédia, a enciclopédia livre.
Processo dos Távoras - Wikipédia, a enciclopédia livre. 
Casa dos Távoras - Wikipoédia, a enciclopédia livre.
João Armando Braz de Faria. 
Dalmo José Franqueira Carneiro.

Periódico Nação Brasileira Ano IX, número 89, Janeiro 1931.
Artigos: www.editora opção.com.br/ada12.htm
Prisioneiro de Guerra - Wikipédia, a enciclopédia livre.

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O GRANDE JEQUITIBÁ MAL ASSOMBRADO II

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Narrativa de Celso Köhn

          Pela sua situação topográfica, Passa Quatro, desde o primeiro momento da revolução, sentiu, com eloquência, o arfar grandioso e potente da máquina gigantesca armada contra os desmandos do governo extinto.  Por Passa Quatro, com efeito, circulavam os trens que transportavam as hostes heroicas do setor da Mantiqueira. Ali tiveram lugar encontros sangrentos entre tropas mineiras e a legalidade do Sr. Washington Luis.


          O primeiro choque de uma força de 34 homens composta de civis e policiais mineiros, com pelotões do Exército, ocorreu no dia 13 de outubro, no túnel da Mantiqueira.  Durante quatro longas horas esse punhado de bravos fez frente a uma coluna inimiga muito superior numericamente, resistindo a um fogo cerrado de fuzil e metralhadora. 

          No dia 14, porém, tornava-se impossível qualquer resistência ante a pressão da coluna que investia contra Passa Quatro.  Essa coluna era composta de companhias do 5º batalhão da Força Pública de São Paulo.  Passa Quatro foi ocupada, mas não se rendeu. 

          Ora, as forças legalistas que ocuparam Passa Quatro compunham-se de pouco mais de 600 homens.  E a Polícia Mineira, em toda a região, mantinha cerca de 900 homens.  Que lhe competia fazer para reocupar a cidade valorosa, secundada pelos civis ciosos da sua gleba?  Contra atacar sem vacilações, levar de vencida os legalistas, rojando-os para além do túnel da Mantiqueira, batidos e desencorajados.

          Então desenvolveram-se no setor de Passa Quatro combates renhidos durante os quais muito sangue correu de brava gente.  Os encontros mais violentos foram os de Pé do Morro e Bom Sucesso.  Uma coluna de 300 homens, combateu sem um minuto de trégua nos dias 16 e 17 de outubro.   Até que, no dia 18, raiou a aurora da Vitória.  As tropas legalistas evacuaram totalmente a região, certas da impossibilidade de vencer a resistência de Passa Quatro.

          Não podia ter sido maior nem mais heroica semelhante resistência, dadas as dificuldades de abastecimento e a desigualdade de efetivos no primeiro momento do choque beligero.  Mas de qualquer forma, antes e depois de receber reforços de que carecia, Passa Quatro mostrou-se à altura da missão que lhe competia como ponto de alta relevância estratégica, numa região próxima ao túnel da Mantiqueira.  Os seus filhos podem dizer, como na ode de Horácio, que ergueram um monumento mais duradouro do que o bronze: "exegi monumentum aere perennius".
Revolução de 1930
          O trecho do grande Estado de Minas Gerais conhecido pelo nome de "Zona Sul-Mineira" é uma terra prodigiosa, onde tudo dá e do melhor, principalmente o café, que é a sua maior riqueza.  A lavoura, ali não é no presente apenas um instrumento de riqueza em ação:  é ainda um mundo de possibilidades a descobrir e explorar no futuro, porque possuímos largas extensões de mata virgem, cujo solo fecundo nos dá o prognóstico certo de um surto agrícola de incalculáveis abundâncias amanhã.

          A terra, grande potencia criadora, é o manancial perene de onde brota a nossa riqueza, com a qual alimentamos os nossos orçamentos, movimentamos o nosso comercio, fazemos o nosso crédito, damos brilho à nossa civilização e desenvolvemos a trajetória da nossa prosperidade e do nosso futuro.

          Falar da terra fecunda, da terra mãe, que nos dá o pão, o dinheiro, os recursos, a vida enfim, a falar nas zonas rurais, nos trabalhos e serviços da agricultura, é falar na terra fértil e produtora, amansada dia a dia pelo braço humano, na labuta constante e pertinaz de vencer mais uma etapa no caminho do seu destino.

          Estas palavras nos acodem a mente à mente ao termos que falar, com sincera simpatia, do município de Pouso Alto, onde nos detivemos durante alguns dias.   Julio Ribeiro, o saudoso romancista mineiro, cujo berço natal é a velha cidade de Sabará, tendo passado alguns anos de sua infância em Pouso Alto, assim evocou a bela cidade Sul Mineira, quando residia em São Paulo:

          "Pouso Alto! Salve, região selvatica, em que correu veloz a minha infância. " Salve, montanhas agrestes, que muito galguei com a fronte rorejada de suor e o coração cheio de crenças!  Salve, florestas virgens, confidentes de meus primeiros afetos!  Salve, cascatas ruidosas, que me desalterastes tanta vez os lábios pulverulentos da jornada!  Salve, lympha do riacho, vencida por mim a braço, domada por mim, a remo!  Salve, céu puríssimo, alentador das minhas esperanças de menino!  Salve, eco, que repetiste as minhas primeiras queixas!  Salve, terra que bebestes as minhas primeiras lágrima!"

          "Daqui, destas plagas de industria e trabalho, onde o vapor tem o trono e a eletricidade um altar, gasto pelo atrito do mundo, sem ter mais no peito uma fibra que possa ressoar um doce acorde - eu ainda te envio uma saudação:  Salve, Pouso Alto, Salve!"
          O município de Pouso Alto (foto acima) - criado pela lei n. 2.079, de 19 de Dezembro de 1874 (a criação da freguesia e distrito de Pouso Alto, data do ano de 1843), está situado na formosa região Sul Mineira e é notável pelo incremento que tem tomado as suas forças produtoras.

          Com efeito, Pouso Alto, colocado no Vale do Rio Verde, e banhado pelo curso d'água, cujo nome herdou, acha-se em condições muito prósperas, no tocante à sua vida agrícola e industrial.  É assim que ali vão se desenvolvendo, com muita exuberância, todas as culturas, ocupando o primeiro lugar a do fumo, cuja produção anual, já atinge a 100.000 arrobas.  É a afamada a marca  -  fumo do Picú.

          Faz também exportação, em não pequena escala, dos demais produtos, que primam sempre pela boa qualidade, como sejam, lacticínios, gado bovino, cereais, toucinho, etc.  O orçamento do município é de 80:000$000.  Tem escolas urbanas e rurais.  A industria pastoril está igualmente bem desenvolvida, notadamente na parte relativa à seleção de raças, encontrando-se ali belos exemplares das Simenthal, Schwitz, Holandeza, Jersey e outras.

          Na criação do gado cavalar, muito incrementada também em todo o município, se destaca a raça "Manga Larga" cujos espécimes são magníficos andadores, preferidos para sela.  Para criação de suínos, existentes em número avultadíssimo em todas as propriedades agrículas do município, é preferida a raça canastrão.

          Pouso Alto tem boas aguadas conservadas, sendo o seu território banhado pelos rios Verde, Passa Quatro e Capivary e em suas pastagens existe grande numero de cabeças de criação. O gado de criar é nacional (creoulo) e de raças estrangeiras, como Simenthal, Jersey, Schitz e Hollandezas.

          A cavaleiro da cidade de Pouso Alto (que teve essa categoria pela lei n. 2.461, de 19 de outubro de 1878) está a Igreja Matriz da freguesia, colocada em pondo belíssimo, donde se descortina vastíssimo horizonte.  É um templo elegante e cuidado com muito carinho.

          No município de Pouso Alto, está a grande Serra do Picú (melhor diríamos, Itgamonte) que foi transposta pelos primeiros bandeirantes, vindos de S. Paulo, entre os quais Felix Jacques, Gonçalves Figueira, Francisco Dias de Avilla, Mathias Cardoso, Fernão Dias Paes Leme, Caetano Tacques, Garcia Rodrigues, José Dias Paes e Manoel de Borba Gato, e dela fizeram balisa para ponto de referência no descobrimento dos demais lugares do Sul de Minas.

          A sede do distrito de S. José do Picú (ou Itamonte) está edificada nas fraldas dessa Serra lendária, muito notável pelas suas extensas culturas de fumo e café, sendo que só desta ultima rubiácea existem ali, em pleno desenvolvimento, cerca de 120.000 pés.  Dotado de clima excelente ao clima de Pouso Alto, estão ainda destinados dias verdadeiramente áureos, tal a importância da sua vida agrícola e industrial, muito concorrendo para isso a índole pacífica de seu povo.

          Povo pacífico, em verdade, mas cioso, como poucos, do seu brio patriótico, conforme tivemos ocasião de verificar durante a revolução de outubro.  É preciso aqui salientar, como um exemplo de fé cívica, a atitude do coronel Alberto Marques, que se fez remarcar pela energia que desenvolveu durante os dias da revolução, juntamente com o promotor publico de Pouso Alto.

          Este, o dr. André Sarmento, revolucionário ardente, era considerado antes da revolução como um visionário.  Durante os graves dias da revolução esteve sempre em grande atividade, ora prestando informações às tropas revolucionarias, ora tomando providências de caráter preventivo, sempre vigilante e pronto para sacrificar-se pelos seus ideais.  Nunca lhe passou pela mente a ideia de fracasso, mesmo quando as tropas legalistas ameaçavam invadir o sul de Minas e já combatendo em Pouso Alto, ele dizia: - "Para o triunfo final a tomada de Pouso Alto pelas tropas federais nada representa, combate-se por Minas, pelo Brasil e não apenas por Pouso Alto".

          Os revolucionários convictos da vitória e que mais eficientemente trabalharam em Pouso Alto foram os srs. Alberto Marques, Drs. André Sarmento, Egydio Lucas e Carlos de Carvalho Britto.  A atividade revolucionaria destes homens pode ser atestada por toda uma população.  Agora, para terminar, digamos o que foi o combate entrre a gente de Pouso Alto e as tropas paulistas que invadiram o sul mineiro.

          No dia 16 de outubro, Pouso Alto informava ao comando da Serra da Mantiqueira que três caminhões e um automóvel transportando soldados e oficiais da Força Pública Paulista, num total aproximado de 80 homens, se dirigiam para Itanhandu, via Virgínia, executando naturalmente o plano de atacar as tropas mineiras pela retaguarda.  O comandante ao receber a comunicação depois de algumas perguntas informativas, declarou que as informações de Pouso Alto estavam causando sensação e sendo muito preciosas porque prevenia a iminência de um ataque pela retaguarda, que até então era muito problemático.

          O comandante então recomendou ao Sr. Alberto Marques que aguardasse a passagem de um contingente que se achava a caminho entre S. Lourenço e Pouso Alto e o encarregasse de montar guarda no cruzamento da estrada de automóvel por onde deveria passar o contingente paulista.  Para ali partiu a força mineira, composta de 60 homens.  Quando iniciava o reconhecimento do terreno, em noite escura e chuvosa, foi surpreendida pela aproximação do inimigo, travando-se então renhido combate, do qual, resultou o desbarato completo das forças legais e a prisão de 15 soldados e um tenente da Força Pública Paulista.

          As forças mineiras tiveram dois feridos levemente.  Foram apreendidos três caminhões, quatro fuzis, metralhadora, F.M., muitos fuzis e grande cópia de material bélico.  Nessa mesma noite do combate o oficial mineiro que comandava o ataque expediu desta localidade um telegrama ao comando da Serra da Mantiqueira pedindo reforço por julgar a zona perigosa;  vindo então, pela madrugada um contingente de 120 homens comandados pelo então capitão Wanderlyn, que ao verificar as condições em que se deu o combate, entusiasmado, c=declarou que Deus era mineiro.

          Esta notícia que ainda não foi dada à publicidade deve ser registrada a fim de ser agasalhada nas páginas da história da Revolução.  O combate deu-se em território do municipio de Pouso Alto no quilômetro 12, como foi o local denominado pelo hoje major Wanderlyn.

(Esta narrativa de Afonso Celso Köhn, continua no próximo bloco: justificando o título: "O GANDE JEQUITIBÁ MAL ASSOMBRADO".
Itanhandu


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O GRANDE JEQUITIBÁ MAL ASSOMBRADO

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Afonso Celso




          A origem de grande parte das famílias sul-mineiras estabelecidas na região de Itanhandu, Itamonte, Passa Quatro, Pouso Alto, Virgínia, etc, tem sua origem em meados do século XVIII, quando o Marquês de Pombal, D. Sebastião José de Carvalho e Melo, assumiu como primeiro ministro as rédeas do governo português no reinado de D. José I, 


          Em 1755, Sebastião de Carvalho e Melo já era primeiro ministro do reino e governou com mão de ferro, impondo a lei a todas as classes, desde os mais pobres até a alta nobreza.  A sua administração ficou marcada por duas contrariedades célebres: a primeira foi o Terremoto de Lisboa, ocorrido no dia 01 de novembro de 1755, um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitetônico da cidade.

          O primeiro ministro era um homem severo, filho de um fidalgo da província, com algum rancor para com a velha nobreza, que o desprezava.  Desavenças entre ele e os nobres eram frequentes e toleradas pelo rei, que confiava em Sebastião José de Carvalho e Melo pela sua liderança competente após o terremoto. 

           Na sequência do terremoto, D. José I deu ao seu primeiro ministro poderes acrescidos, tornando Sebastião José de Carvalho e Melo numa espécie de ditador.  À medida que o seu poder cresceu, os seus inimigos aumentaram, e as disputas com a alta nobreza tornaram-se frequentes.  Pouco depois, a outra contrariedade, conhecida como Processo dos Távora, foi uma intriga com consequências dramáticas. 

          Em 03/09/1758 D. José I é ferido numa tentativa de regicídio.  Naquela noite, D. José I seguia incógnito numa carruagem que percorria uma rua secundaria nos arredores de Lisboa.  Pelo caminho, a carruagem foi interceptada por três homens, que dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço, e seu condutor também ficou ferido gravemente, mas ambos sobreviveram e regressaram à Ajuda.

          Sebastião José de Carvalho e Melo tomou o controle imediato da situação.  Mantendo em segredo o ataque e os ferimentos do rei, ele efetuou julgamento rápido.  Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados.  Os homens confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família dos Távoras, que estavam a conspirar por o Duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono. 

          Em 1759 os Marqueses Velhos, o Marquês Novo, o Conde da Atouguia, D. José Maria de Távora e o Duque de Aveiro sobem ao cadafalso onde são executados por crime de lesa-Majestade.  Com este golpe final, o poder da nobreza foi decisivamente contrariado, marcando uma vitória sobre os inimigos.  Utilizando também como pretexto o atentado a D. José I, Rei de Portugal, em 1758, o Marquês de Pombal, iniciou uma perseguição ferrenha aos jesuítas do  país, sendo um dos principais responsáveis pela expulsão dos Jesuítas de Portugal da metrópole e de suas colônias em 1759, confiscando todos os seus bens sob a alegação de que a Companhia de Jesus (jesuítas) agia como um poder autônomo dentro do Estado português.

          Pela sua ação rápida, D. José I atribuiu ao seu leal ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o título de Conde de Oeiras em 1759 e pelo seu tratamento competente do caso, posteriormente, em 1770, obteve o título de Marquês de Pombal, o nome pelo qual é conhecido hoje. 

          E assim, esse homem que ainda criança, já o rei D. João V o chamava "menino de cabelo no coração",  que queria dizer naquela época, de coração feroz, esse homem fez aparecer no dia seguinte ao do terremoto de Lisboa 200 forcas e 200 cadáveres nelas balançando, e moveu a maior perseguição às famílias nobres de Portugal, muito especialmente aos Távoras e duques de Cadaval. 

          "Eram estas duas famílias muito entrelaçadas por vínculos de matrimônio, provindo daí ser Antonio Pereira Leite oriundo de ambas". 
Pouso Alto

          "Com Antonio Pereira Leite vieram de Portugal para Pouso Alto (vide foto acima), em Minas Gerais, abrindo caminhos pelos sertões, os seus parentes, também portugueses".

          E assim, para a região de Bom Sucesso, muito mesmo antes das famílias Silva Costa e Carvalhal, vieram os Ribeiro de Carvalho habitar aquela região.  Nos idos de 1930, desde a época do Império, o Brasil mantinha o equilíbrio no poder alternando a presidência entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, os dois Estados de maior força na época, sistema chamado de "política do café com leite".  

          O Brasil, nessa época, passava por dificuldades sócio-econômicas, um reflexo da crise mundial que tinha ocorrido em outubro de 1929 com a queda da economia, tendo sido afetados todos os setores econômicos do país, causando grande desemprego, havendo dois milhões de desempregados em todo o Brasil, tendo a cidade de São Paulo em torno de 400.000 desempregados. 

          Essa crise mundial tinha afetado em especial, a monocultura do café, alicerce sócio-econômico do Brasil da época.  Além da insatisfação do povo, havia muita insatisfação nos opositores do governo e esta ficou maior quando o presidente não escolheu o candidato natural para presidente, pela "política café com leite", o governador mineiro Antonio Carlos, mas escolheu o governador paulista Júlio Prestes.

          Antonio Carlos não abria mão da vez de Minas Gerais assumir a presidência e desafiou:  - Se o próximo presidente não for mineiro, não o será paulista!  Com esse desafio, lançava a candidatura do governador gaúcho, Getúlio Vargas, sendo vice o governador da Paraíba, João Pessoa.  Em primeiro de março de 1930, Júlio Prestes vencia as eleições para presidente, mas Getúlio Vargas não aceitando ter sido derrotado, lançou Manifesto denunciando a eleição e agredindo o novo presidente. 

         Para piorar a situação, o ex-candidato a vice, João Pessoa, foi assassinado, por motivos pessoais, em uma confeitaria no Recife, no dia 26 de julho.  A oposição logo transformou o morto em "vítima do governo", e isso foi um estopim para mobilizar todos, criando as condições que levaram a ser iniciado um movimento militar contra o governo federal.

          E assim, no dia 3 de outubro explodiu a revolução de 1930, comandada pelo gaúcho Getúlio Vargas.  Para se entender um pouco mais da revolta no Sul de Minas é necessário conhecer os artigos "Os dias heroicos da revolução em Passa Quatro e Pouso Alto, uma joia do sul-mineiro.  Uma noite de combate glorioso, durante a revolução de outubro, transcritos do periódico Nação Brasileira, Ano IX, número 89, Janeiro, 1931. 

(Continua no próximo bloco, narrativa de Afonso Celso Köhn)
     

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