MINHA ESTORIA
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Resende, é uma cidade conhecida por abrigar a Academia Militar das Agulhas Negras-AMAN, e esta, é famosa no Brasil inteiro. Também é uma cidade cultural, com muitas escolas, atividades, etc, e o próprio hino de Resende a enaltece em sua letra: "Resendenses entoemos um hino, a esta terra que é um berço divino, de poetas, artista de heróis".
Agora, vou contar minha estória; por que deixei Passa Quatro-MG e vim para Resende-RJ, e aqui fiquei. Foi assim: eu havia terminado o meu curso ginasial em Passa Quatro, no Ginásio São Miguel. Minha vontade, era de continuar meus estudos, mas eu não tinha condições. Naquela época, as escolas eram particulares, e não era barato.
Uma opção, que se falava muito em Passa Quatro, seria ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras em Resende. O estudo nessa famosa Academia, era gratuito. Pois bem. Escrevi para a AMAN, manifestando meu desejo de ingressar na Academia. E eles (os militares), foram muito atenciosos, e me orientaram o seguinte: eu não poderia de imediato ingressar na Academia em Resende. Primeiro eu teria que ir para Campinas-SP, e ingressar numa escola preparatória de cadetes, e de lá sim, após concluir essa escola preparatória por 4 anos, eu poderia automaticamente, sem prestar qualquer exame, ingressar na AMAN.
Eu estava decidido. Estava pronto para ir para Campinas. Minha tia Clara estava de acordo. Mas, antes de partir para Campinas, eu comuniquei esse fato ao tio Carlos, que morava em Itatiaia, pertinho de Resende. Acho que ele ficou preocupado comigo, pois eu estava disposto a me aventurar sozinho rumo a Campinas. E o tio Carlos me disse: - não, não vá para Campinas. Você não conhece ninguém lá, e se não der certo você vai ficar perdido por lá. Não. Definitivamente não. Venha aqui para Itatiaia, fique na minha casa, e aqui arranjaremos um emprego para você.
E eu, obediente, segui a sua recomendação, até porque, eu também tinha vontade de trabalhar, ganhar dinheiro. Esse também era um sonho. E assim foi feito. Fui para Itatiaia, e fiquei na casa do tio Carlos. Ela trabalhava na CITOR (Companhia Interestadual de Terraplanagem Obras e Reparações). Era uma oficina mecânica, uma Companhia de propriedade do então deputado federal Mario Tamborindeguy.
Seria fácil eu também trabalhar ali, no escritório dessa Companhia, mas o tio Carlos não queria. Ele dizia que trabalhava ali, mas detestava aquele ambiente, cheio de gente inescrupulosa, etc, etc, etc. Mas, naquela época, em 1967, não era fácil conseguir emprego. Ainda mais pela minha idade. Eu estava com 16 para 17 anos, e nessa idade, em todo lugar que eu procurava uma colocação, o discurso era sempre o mesmo. - Não, você está próximo de prestar serviço militar, e não podemos admitir ninguém nessa idade, nessas condições, pois seremos obrigados a manter o seu emprego mesmo com o seu afastamento.
Mas, eu havia me alistado em Passa Quatro, e fui dispensado do serviço militar, por excesso de contingente. Enquanto isso, na minha busca por uma colocação, eu procurei um trabalho na IQR (Industria Química de Resende); na Lederle (indústria de fabricação de produtos químicos); na Sandoz (industria de remédios); no Banco Real, nos escritórios da Usina de Funil em Itatiaia, enfim nada.
Primeiramente, eu procurei nessas Industrias maiores, mas, não conseguindo nada, procurei nos lugares mais simples, como loja, supermercados, oficina mecânica (numa oficina famosa em Resende na época, oficina do Pineschi, eles precisavam sim, mas era de um torneiro mecânico. Me perguntaram se eu tinha experiência nessa especialidade. Eu não tinha. Nada feito).
Fiquei um ano sem conseguir uma colocação, e sempre procurando, até que um dia, eu consegui: uma vaga de cobrador de ônibus, na Viação Tupi, como era conhecida. Era uma Empresa dos irmãos Martini, e que fazia a ligação de Transporte Coletivo entre Resende x Itatiaia.
Agarrei com unhas e dentes essa oportunidade, pois eu já estava quase desanimando de tanto procurar e nada conseguir. O Sr. Hildebrando (dono da Empresa), era o meu patrão direto, e assim trabalhei algum tempo como cobrador, ou trocador, como se dizia. Depois, o patrão vendo o meu empenho, me promoveu para bilheteiro, na agência da Empresa dentro da Estação Rodoviária. Ali trabalhando, tive condições de continuar meus estudos. Depois, nova promoção, consegui finalmente aquilo que eu queria desde o princípio, que era trabalhar num escritório. Bem, esse foi o meu único emprego até a minha aposentadoria; a empresa passou por transformações, mudança de donos, administração, mas eu sempre me mantive na minha função, que era o de contador exclusivo dessas administrações.

Depois de aposentado, continuei trabalhando, mas num ritmo bem menos cansativo, e trabalhei para outras empresas por um período de tempo bem menor, e aqui estou agora, escrevendo estas estórias.
