NOSSO AVÔ, CONTINUAÇÃO

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WILHELM  KÖHN
(Continuação de sua estória)


          ... Wilhelm deixou a esposa e os filhos morando em Virgínia, e foi para Itanhandu, para trabalhar na fábrica Vigor:  FÁBRICA DE PRODUCTOS ALIMENTICIOS VIGOR S/A.  E aqui, registra-se uma passagem interessante a ser lembrada ; Carlos, um dos filhos de Wilhelm, desde cedo se revelara um rapazinho esperto, e a todo momento predisposto a ser útil à família.  Como se dizia na gíria antiga: "era um menino sacudido".

          Enquanto Wilhelm trabalhava em Itanhandu, sua família permanecia em Virgínia.  Naquele tempo não havia meio de transporte fácil como existe hoje.  E, quando Wilhelm recebia o seu pagamento na Fábrica, era preciso levar o dinheiro para sua família.  E aqui, entra a esperteza do rapazola Carlos, que na época contava com 14 ou 15 anos.

          Dona Martha, havia confeccionado um saquinho de pano, destinado a trazer muito bem protegido, o dinheiro que Wilhelm mandaria para a família.  E o Carlos saia bem cedo de Virgínia (4:00 horas da manhã), a pé, rumo a Itanhandu.  Levava também roupa limpa para o pai.  Quando era 10 horas, precisamente, o Carlos já estava no portão da fábrica.  Wilhelm colocava então o dinheiro no saquinho e amarrava a boca do mesmo com barbante; não obstante, o saquinho era amarrado no bolso do garoto, bem firme, para garantir que não perderia o dinheiro.

          E o Carlos rumava novamente para Virgínia, levando o dinheiro amarrado no bolso, e a roupa suja de volta;  era um bom trecho a ser percorrido apé, por um garoto, cerca de 48 Km (ida e volta). Mas, quando era de tardinha, o sacudido Carlos já estava de volta (em casa); então Dona Martha lhe retirava o saquinho contendo o dinheiro.

          Depois, os garotos Carlos e Guilherme Jr também trabalharam junto com o pai na Fábrica Vigor; eles trabalhavam na confecção de latas.  O garoto Walter, nessa época estava na escola.  Wilhelm trabalhou na Vigor durante dois anos, e dali foi para Cruzeiro-SP. 

Estação ferroviária de Cruzeiro-SP
          OUTRA VEZ NA REDE SUL MINEIRA, e a estória continua... Trabalhando novamente na Estrada de Ferro, Wilhelm ocupou o cargo de chefia da Locomoção.  Seus filhos Carolos e Guilherme, também trabalharam com ele na Rede. 


          Mas aqui, para o seu desprazer, ele enfrentaria novamente a hipocrisia de seus perseguidores, tal como já tinha ocorrido numa época anterior.
Nome de seus perseguidores:
a) Coreolano de Matos;
b) Torquato Elias da Silva (este, foio mesmo que em 1908, pretendia transferir  Wilhelm de Uberaba para Amparo, sendo que Wilhelm rejeitou a "ordem" recebida, preferindo demitir-se).
          Agora, Wilhelm veio encontra-lo novamente aqui em Cruzeiro, ocupando o cargo de auxiliar-técnico de Locomoção (o tal Elias Torquato).  Estamos entre os anos 1922/24, tempo durou a permanência de Wilhelm na Estrada de Ferro.  Mas, entre outras arbitrariedades perniciosas por parte daqueles que não se harmonizavam com o caráter escrupuloso de Wilhelm, vamos contar apenas os fatos que culminaram com a sua desistência da Estrada de Ferro:

          ... ... ... Wilhelm recebera ordem do Sr. Coreolano de Matos, para transferir-se para o depósito de locomotivas situado em Barra do Piraí-RJ.  E Wilhelm foi.  Chegando lá, entrevistou-se com o diretor daquele depósito, que na época era o Sr. Antonio Nugueira Penido.  Este porém, estranhou que Wilhelm devesse assumir o depósito, pois nada havia sido comunicado oficialmente, como a ordem e o bom senso determinavam.  

          Antes de tomar qualquer decisão porém, Wilhelm procurou inteirar-se da situação geral daquele depósito.  E, conforme declaração do próprio Sr. Penido, a situação não estava nada boa.  Acidentes ou desastres com as locomotivas ocorriam frequentemente, o estado geral das locomotivas era deplorável, a manutenção precária.

          Diante disso, Wilhelm achou por bem que tal quadro desolador se fizesse constar de um relatório descritivo, conformando o estado lamentável das locomotivas.  Neste particular, foi prontamente atendido pelo Sr. Penido.  De posse desse relatório, Wilhelm retornou a Cruzeiro, indo imediatamente procurar o Sr. Coreolano de Matos, no escritório da Rede. Não o tendo encontrado, Wilhelm deixou o relatório sobre a sua mesa e saiu.

          Mais tarde, voltou ao escritório, presumindo que o Sr. Coreolano já tivesse lido o relatório.  Mas o Sr. Coreolano recebeu-o com ar de surpresa desagradável: - "Mas o senhor já está de volta?"
Ao que Wilhelm respondeu:  - "Sim, e peço que o senhor leia o relatório que deixei sobre a sua mesa".  E  Coreolano, deseducadamente retrucou:
- "Eu não tenho que ler coisa alguma! Eu quero o senhor lá no Depósito de Barra do Piraí, e estamos conversados!".
Mas Wilhelm não era homem de suportar desaforos, então, raivosamente agarrou o tal sujeito pelo pescoço, levantando-o da cadeira onde estava sentado: - "Vai ler sim senhor!"

          Imediatamente, outros funcionários do escritório acudiram, mas Wilhelm simplesmente falou:
- "Eu estou apenas dando uma lição neste "cachorro", que não desprega o fundo das calças desta cadeira para saber o que está acontecendo lá fora!"  Tendo dito isto, Wilhelm largou o tal sujeito, virou as costas e saiu.  Wilhelm sabia-se demitido depois daquele fato, mas ele nunca deixaria por menos.

(Continua no próximo bloco, ou Submenu : O perfil de Wilhelm...)

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