O GRANDE JEQUITIBÁ MAL ASSOMBRADO
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A origem de grande parte das famílias sul-mineiras estabelecidas na região de Itanhandu, Itamonte, Passa Quatro, Pouso Alto, Virgínia, etc, tem sua origem em meados do século XVIII, quando o Marquês de Pombal, D. Sebastião José de Carvalho e Melo, assumiu como primeiro ministro as rédeas do governo português no reinado de D. José I,
Em 1755, Sebastião de Carvalho e Melo já era primeiro ministro do reino e governou com mão de ferro, impondo a lei a todas as classes, desde os mais pobres até a alta nobreza. A sua administração ficou marcada por duas contrariedades célebres: a primeira foi o Terremoto de Lisboa, ocorrido no dia 01 de novembro de 1755, um desafio que lhe conferiu o papel histórico de renovador arquitetônico da cidade.
O primeiro ministro era um homem severo, filho de um fidalgo da província, com algum rancor para com a velha nobreza, que o desprezava. Desavenças entre ele e os nobres eram frequentes e toleradas pelo rei, que confiava em Sebastião José de Carvalho e Melo pela sua liderança competente após o terremoto.
Na sequência do terremoto, D. José I deu ao seu primeiro ministro poderes acrescidos, tornando Sebastião José de Carvalho e Melo numa espécie de ditador. À medida que o seu poder cresceu, os seus inimigos aumentaram, e as disputas com a alta nobreza tornaram-se frequentes. Pouco depois, a outra contrariedade, conhecida como Processo dos Távora, foi uma intriga com consequências dramáticas.
Em 03/09/1758 D. José I é ferido numa tentativa de regicídio. Naquela noite, D. José I seguia incógnito numa carruagem que percorria uma rua secundaria nos arredores de Lisboa. Pelo caminho, a carruagem foi interceptada por três homens, que dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço, e seu condutor também ficou ferido gravemente, mas ambos sobreviveram e regressaram à Ajuda.
Sebastião José de Carvalho e Melo tomou o controle imediato da situação. Mantendo em segredo o ataque e os ferimentos do rei, ele efetuou julgamento rápido. Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados. Os homens confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família dos Távoras, que estavam a conspirar por o Duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono.
Em 1759 os Marqueses Velhos, o Marquês Novo, o Conde da Atouguia, D. José Maria de Távora e o Duque de Aveiro sobem ao cadafalso onde são executados por crime de lesa-Majestade. Com este golpe final, o poder da nobreza foi decisivamente contrariado, marcando uma vitória sobre os inimigos. Utilizando também como pretexto o atentado a D. José I, Rei de Portugal, em 1758, o Marquês de Pombal, iniciou uma perseguição ferrenha aos jesuítas do país, sendo um dos principais responsáveis pela expulsão dos Jesuítas de Portugal da metrópole e de suas colônias em 1759, confiscando todos os seus bens sob a alegação de que a Companhia de Jesus (jesuítas) agia como um poder autônomo dentro do Estado português.
Pela sua ação rápida, D. José I atribuiu ao seu leal ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o título de Conde de Oeiras em 1759 e pelo seu tratamento competente do caso, posteriormente, em 1770, obteve o título de Marquês de Pombal, o nome pelo qual é conhecido hoje.
E assim, esse homem que ainda criança, já o rei D. João V o chamava "menino de cabelo no coração", que queria dizer naquela época, de coração feroz, esse homem fez aparecer no dia seguinte ao do terremoto de Lisboa 200 forcas e 200 cadáveres nelas balançando, e moveu a maior perseguição às famílias nobres de Portugal, muito especialmente aos Távoras e duques de Cadaval.
"Eram estas duas famílias muito entrelaçadas por vínculos de matrimônio, provindo daí ser Antonio Pereira Leite oriundo de ambas".

"Com Antonio Pereira Leite vieram de Portugal para Pouso Alto (vide foto acima), em Minas Gerais, abrindo caminhos pelos sertões, os seus parentes, também portugueses".
E assim, para a região de Bom Sucesso, muito mesmo antes das famílias Silva Costa e Carvalhal, vieram os Ribeiro de Carvalho habitar aquela região. Nos idos de 1930, desde a época do Império, o Brasil mantinha o equilíbrio no poder alternando a presidência entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, os dois Estados de maior força na época, sistema chamado de "política do café com leite".
O Brasil, nessa época, passava por dificuldades sócio-econômicas, um reflexo da crise mundial que tinha ocorrido em outubro de 1929 com a queda da economia, tendo sido afetados todos os setores econômicos do país, causando grande desemprego, havendo dois milhões de desempregados em todo o Brasil, tendo a cidade de São Paulo em torno de 400.000 desempregados.
Essa crise mundial tinha afetado em especial, a monocultura do café, alicerce sócio-econômico do Brasil da época. Além da insatisfação do povo, havia muita insatisfação nos opositores do governo e esta ficou maior quando o presidente não escolheu o candidato natural para presidente, pela "política café com leite", o governador mineiro Antonio Carlos, mas escolheu o governador paulista Júlio Prestes.
Antonio Carlos não abria mão da vez de Minas Gerais assumir a presidência e desafiou: - Se o próximo presidente não for mineiro, não o será paulista! Com esse desafio, lançava a candidatura do governador gaúcho, Getúlio Vargas, sendo vice o governador da Paraíba, João Pessoa. Em primeiro de março de 1930, Júlio Prestes vencia as eleições para presidente, mas Getúlio Vargas não aceitando ter sido derrotado, lançou Manifesto denunciando a eleição e agredindo o novo presidente.
Para piorar a situação, o ex-candidato a vice, João Pessoa, foi assassinado, por motivos pessoais, em uma confeitaria no Recife, no dia 26 de julho. A oposição logo transformou o morto em "vítima do governo", e isso foi um estopim para mobilizar todos, criando as condições que levaram a ser iniciado um movimento militar contra o governo federal.
E assim, no dia 3 de outubro explodiu a revolução de 1930, comandada pelo gaúcho Getúlio Vargas. Para se entender um pouco mais da revolta no Sul de Minas é necessário conhecer os artigos "Os dias heroicos da revolução em Passa Quatro e Pouso Alto, uma joia do sul-mineiro. Uma noite de combate glorioso, durante a revolução de outubro, transcritos do periódico Nação Brasileira, Ano IX, número 89, Janeiro, 1931.
(Continua no próximo bloco, narrativa de Afonso Celso Köhn)
